Mesmo com safra menor, preço do café cai
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Nem mesmo uma safra menor de café foi suficiente para elevar o preço da commodity. Neste início de colheita, a saca de 60 quilos de café arábica está sendo negociada por um preço médio 10% menor do que na mesma época do ano passado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A safra brasileira deverá colher 32.065 mil sacas, uma redução de 24,6% sobre a produção anterior. Já a colheita paranaense deverá atingir 1.855 mil sacas, redução de 17,5% em relação à safra anterior. A queda na produção é efeito da bianualidade negativa da cultura.
Segundo Djalma Fernandes de Aquino, técnico de produto da Conab, a expectativa era de que, atualmente, o preço da saca estivesse variando entre R$ 300 e R$ 350. No entanto, a cotação tem ficado entre R$ 220 e R$ 230 a saca. No mesmo período do ano passado, a saca de café era comercializada na faixa dos R$ 245 a R$ 250. ''A expectativa era de preços altos porque o cenário mundial apontava para uma falta do produto. No entanto, os preços obedecem as leis da oferta e da procura e se os preços estão baixos é porque tem produto sobrando'', comenta.
Com base nas especulações de falta de café, no final do ano passado a cotação chegou a atingir os R$ 300 a saca, mas houve um recuo no início de 2006. ''Este preço deveria continuar porque a safra deste ano será menor. Acreditamos que as indústrias estão com estoques altos porque os estoques do governo estão baixos'', diz Aquino. Segundo ele, nos próximos dias a Conab irá divulgar um outro relatório que irá indicar o volume da commodity em estoque. O governo federal tem cerca de 1,6 milhão de sacas em estoque, volume considerado baixo, uma vez que já ficaram armazenadas até 15 milhões de sacas em anos anteriores.
''Na verdade o governo não precisaria estocar café. Isso ocorre para socorrer o mercado em uma eventualidade de falta de café, se bem que esse volume (de 1,6 milhão de sacas) não vai resolver nada'', observa o técnico. Geralmente, a formação de preço ocorre a partir da combinação de três fatores: produção, consumo e estoques. ''O cenário mundial aponta para um déficit de cerca de 8 milhões de sacas, mas o preço no mercado interno está baixo também em função da depreciação do dólar'', afirma Paulo Sérgio Franzini, coordenador do Porgrama de Café da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Lavouras - Franzini diz que a redução de 17,5% na safra paranaense - estimada em 1.855 mil sacas - é considerado ''dentro do normal'', uma vez que a cultura está no período negativo da bianualidade. No Estado, 55% do cultivo é adensado, sendo que 70% do total está em produção. Segundo ele, as lavouras apresentam boas condições vegetativas, o que refletem investimentos em manejo aliados às condições climáticas favoráveis. A colheita teve início no mês passado e deve se estender até agosto.
Segundo a Conab, a produção nacional está estimada em 32,1 milhões de sacas de café beneficiado, 24,6% menor do que a colhida no ano passado. Deste total, 69,5% (22,3 milhões de sacas) são de arábica e 30,5% (9,8 milhões de sacas) são de robusta. Além da bienalidade negativa no ciclo da cultura, outros fatores contribuíram para a redução da safra, como a estiagem registrada entre março e setembro, que afetou a floração das lavouras; e o fato de terem ocorrido muitas chuvas, entre dezembro de 2006 e janeiro deste ano, o que propiciou o aparecimento de pragas e doenças.
O Paraná é o quinto maior produtor de café, respondendo por 5,3% da produção nacional. O maior produtor é Minas Gerais, que colhe 44,3% de todo o café produzido no País. Em seguida estão Espírito Santo (27%), São Paulo (8%) e Bahia (6,3%).


