Depois de terminar o ano em alta, o preço da saca de café recebido pelo produtor paranaense registrou nos dois primeiros meses de 2015 um leve recuo. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o valor da saca em fevereiro fechou a R$ 390, contra R$ 398 em janeiro e R$ 402 em dezembro de 2014. Mesmo com essa depreciação, o valor da saca ainda continua em um patamar elevado, segundo avaliam analistas do setor.
Paulo Franzini, gerente do Deral e coordenador Estadual da Câmara Setorial do Café do Paraná, considera o valor da saca estável. Do início do ano para cá, o preço do grão tem variado entre R$ 380 e R$ 400. Mesmo com o valor em um patamar elevado, Franzini revela que o produtor está só conseguindo pagar as contas, pois não tem obtido margens significativas de lucro.
O especialista em café do Deral afirma que a mão de obra está muito cara, o que não tem deixado o produtor respirar. Na opinião do coordenador, o que tem mantido a saca da bebida em valores mais altos é a alta do dólar, que desde a semana passada bateu à casa dos R$ 3. "Como o preço do grão é balizado no mercado internacional, o câmbio tem influenciado bastante nos preços". Franzini afirma que o bom volume de grãos esperados na colheita deste ano, estimada em 1,1 milhão de sacas, pode ajudar o agricultor a obter algum tipo de rendimento.

Consequências
Em 2014 a safra paranaense foi comprometida devido à estiagem do início do ano e a geada que afetou as lavouras durante o inverno. Em uma área total de 55,5 mil hectares, sendo 34,3 mil hectares em produção, o Estado produziu apenas 557 mil sacas de café. Para o atual período (2015) são 52,9 mil hectares de lavoura, com 42,3 mil hectares em produção.
Devido ao baixo preço do grão, as interferências do clima, o custo de produção, além da valorização da soja, que tem ocupado as áreas abandonadas de café, muitos produtores estão desistindo da atividade. Franzini destaca que, de 2013 a 2015, a área plantada no Estado caiu 35%. "A única saída para o cafeicultor retirar algum benefício com a produção de café no Paraná é aumentar a produtividade", observa o especialista do Deral.
Cilésio Abel Demoner, engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), explica que fazer uma poda e uma adubação adequada já é um bom começo para elevar o índice de produtividade. Além disso, frisa o especialista, o produtor precisa mecanizar sua lavoura, uma das únicas alternativas para resolver o problema da falta de mão de obra.
Demoner orienta os cafeicultores a não dependerem só do café, já que é uma cultura com muitos altos e baixos. Por causa disso, ele sempre indica o plantio de outra cultura que ofereça ao produtor uma renda extra em períodos de baixa do café.

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