''Quem vai ressarcir meu prejuízo'', questionava ontem o aposentado Haroldo Zambrian, 61 anos. Ele estava na fila de uma lotérica no Centro de Londrina, onde pretendia pagar contas de água e luz atrasadas. Devido à greve dos Correios, encerrada ontem (leia mais na página 7 da Editoria Geral), os boletos não chegaram em sua casa antes do vencimento. ''A gente procura trazer os compromissos todos direitinho, mas acontece isso e somos prejudicados.''
As greves dos Correios, assim como a dos bancos, irritam a população, que tem mais trabalho para cumprir seus compromissos e, muitas vezes, assumem juros e multas. Os irmãos Jéssica e Ruy Roberti também tentavam pagar contas atrasadas, pois costumam pagá-las no banco. ''A fila aqui é muito maior'', reclamou ele. ''Vamos ter de arcar com os juros'', lamentou a irmã. Já o que mais preocupava o armador Moacir Bento de Oliveira, 60 anos, não era a longa fila do caixa eletrônico. ''O problema é que meus clientes estão dizendo que não podem me pagar por causa da greve dos bancos'', contou.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) explicou que os clientes não devem esperar a chegada dos boletos ou a reabertura dos bancos para pagá-los. É preciso exigir um meio alternativo para manter as contas em dia, mesmo ante mais trabalho e filas. Somente se o banco se recusar a fornecer alternativas é que caberão ações judiciais de ressarcimento de juros ou multas, ressaltou o advogado do instituto, Flávio Siqueira Junior. Se o boleto não chegou devido à paralisação dos Correios, os bancos podem enviá-lo por fax ou e-mail e deve ser quitado nas lotéricas ou caixas eletrônicos.
A greve dos funcionários dos Correios acabou ontem mas a dos bancários continua. Segundo o sindicato dos trabalhadores, havia ontem 710 agências fechadas no Estado, sendo 100 somente em Londrina. As reinvidicações da categoria são aumento real (acima da inflação) de 5% e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Paciência
O cidadão que precisar recorrer aos serviços dos bancos por telefone, vai precisar ter paciência. Apesar de o decreto federal 6.523/08 definir regras para o bom atendimento pelos SACs, elas nem sempre são cumpridas. A FOLHA acessou ontem o serviço de um grande banco e só conseguiu ser atendida na terceira tentativa, após 15 minutos de espera.
O decreto estabelece que o tempo máximo de espera deverá ser de 30 segundos e sistema deve oferecer acesso ao atendente já no primeiro menu. Também garante que o cliente tenha acesso ao atendente sem ter de passar qualquer informação anteriormente. (N.B.)

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