Recessão, desemprego alto, inadimplência, vendas fracas, famílias com orçamento apertado: tudo isso ainda faz parte das previsões dos economistas para a economia brasileira em 1999. Isso, apesar da confirmação da ajuda externa de US$ 41,5 bilhões liderada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que mobilizou vários organismos internacionais, como o Banco Mundial (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e 16 nações.
Todas essas previsões já foram formuladas contando com esse apoio externo. Se ele não viesse, cenários alternativos, com queda muito mais expressiva do Produto Interno Bruto (PIB), estavam sendo desenhados.
A confirmação do acordo de ajuda internacional é apenas a primeira variável necessária para que o cenário de recessão de 1% a 2% do PIB (considerado realista) se confirme. A segunda variável fundamental depende, apenas, do Brasil: fazer o ajuste fiscal, lembram economistas, ex-integrantes de equipes governamentais.
‘‘O acordo traz tranquilidade’’, resume o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. ‘‘A lassidão fiscal que marcou o pacote de 51 medidas adotado no ano passado não poderá ser repetida’’, acrescenta o ex-ministro Roberto Campos. ‘‘A execução das medidas continua a depender de nós mesmos’’, completa Gustavo Loyola. A ajuda externa dada ao País não veio por simpatia, segundo o ex-presidente do BC. ‘‘Ela é determinada pelo reconhecimento de que o problema brasileiro pode espalhar-se pela economia mundial e provocar recessão em outros países’’, pondera Loyola.
‘‘Desta vez, o conjunto de financiadores é realmente internacional, o que indica a importância do Brasil para a comunidade financeira internacional’’, acrescenta Roberto Campos. Na avaliação do economista, uma ‘‘degringolada’’ do Brasil traria consequências ruins para o sistema capitalista.
Apesar da dimensão desse apoio externo e da apreensão com que líderes da economia mundial passaram a olhar o País, a superação efetiva da atual crise ainda depende do Brasil.
‘‘Apesar da boa vontade externa, o insucesso do País na execução do ajuste fiscal e a não aprovação de parte importante das medidas pelo Congresso Nacional seriam desastrosos’’, diz Loyola. ‘‘Chegou a hora de o País realmente ter disciplina fiscal’’, acrescenta Campos. ‘‘Se não formos capazes de atingir as metas propostas, aí a situação fiscal não se corrigirá e o Brasil estará condenado à estagnação e aos juros altos’’, pondera.

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