Lá se vai o tempo em que o pai tirava a carteira do bolso, analisava os ''recursos'' e dava uma graninha para o filho. A realidade agora é outra: para pagar as despesas pessoais, muitos adolescentes ganham cartões bancários dos pais. A mudança de comportamento está diretamente ligada ao avanço do uso de cartões no País, às inovações do setor e também a questões como segurança e praticidade.
Para conquistar esse público, os agentes financeiros oferecem produtos específicos, com layouts modernos e nomes que indicam se tratar do primeiro cartão do usuário ou o mais indicado para sua faixa etária. Uma jogada de marketing que faz sucesso entre os usuários: a mesada em forma de cartão agrada filhos e pais.
Pelo lado dos adolescentes, o que mais agrada é a independência. No caso dos pais ou responsáveis, a vantagem está em controlar a situação, já que a fatura dos cartões de crédito geralmente vai direto para os pais e os cartões de débito têm limites e alguns permitem a consulta dos locais onde foram realizadas compras pelos filhos.
Para o estudante Guilherme Augusto Silva e Souza, 17 anos, receber a mesada através de cartão significa praticidade e segurança. ''É mais tranquilo, não preciso ter dinheiro trocado na carteira, pois inúmeros estabelecimentos aceitam cartão e o pagamento de qualquer quantia'', disse. Fora isso, elencou Guilherme, essa alternativa como mesada é mais segura porque em caso de assalto ou perda, por exemplo, dá para cancelar ou bloquear rapidamente o cartão.
Usuário de cartão de crédito e débito desde os 13 anos, o estudante se considera um consumidor consciente e bem-educado financeiramente. O primeiro cartão que ganhou era de uma conta-poupança e estava em seu nome, a mãe dizia a quantia que estava depositando e enfatizava que ele poderia optar em gastar ou guardar. ''Se eu gastasse tudo de uma vez, ela não dava mais dinheiro naquele mês. Então, eu ficava administrando a conta'', contou Guilherme, que usa o dinheiro que recebe para sair com os amigos, comprar roupas, sapatos e pagar outras despesas pessoais.
Mais tarde, quando foi fazer intercâmbio fora do País, o estudante ganhou um cartão de crédito e um outro de débito especial para adolescente. A fatura do cartão de crédito chegava para a mãe e o outro era recarregável, então a mãe tinha o controle dos gastos do filho. ''Nunca fui de gastar muito, também faço contas para ver se não vai passar dos limites. E, quando, vou comprar alguma coisa de maior valor, converso antes com a minha mãe'', disse.
Para a mãe de Guilherme, a professora universitária Ângela Teresa Silva e Souza, dar a mesada através de cartão foi a forma que encontrou de ajudar na educação financeira do filho. ''Dei mais responsabilidade. Ele sabia que se gastasse o que eu havia depositado, eu não daria mais, até porque eu não recebia dinheiro várias vezes por mês, então não podia depositar mais do que o combinado. O Guilherme teve que começar a administrar as finanças, assim como os adultos fazem'', comentou Ângela, para quem o objetivo de dar um cartão para o filho nunca foi o monitoramento.
A professora acrescentou que ela e o filho sempre conversam muito sobre como gastar o dinheiro. Ela pontuou que, independente da forma que os pais escolhem de oferecer mesada aos filhos, é importante estabelecer limites. ''Hoje em dia as crianças têm muitas facilidades e se os pais não estabelecerem regras, elas acabam perdendo ou não tendo responsabilidade'', frisou.

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