Nova York O estrategista-chefe global de câmbio da Merrill Lynch, Yianos Kontopoulos, estima que o real deverá se apreciar nas próximas semanas em razão da expectativa de fatos positivos para a economia brasileira. ''O anúncio parcial ou total da equipe de governo em algum momento nas próximas semanas, o próprio desembolso de recursos do empréstimo do FMI programados para dezembro e a visita do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, aos Estados Unidos serão vistos como acontecimentos positivos'', afirmou Kontopoulos no relatório ''Moedas latinas ainda registram vulnerabilidade recorde''.
À Agência Estado, Kontopoulos projetou uma taxa de câmbio a R$ 3,25 por dólar no fim do ano e a R$ 3,00 por dólar por volta de fevereiro do ano que vem. ''O ponto crítico é romper o nível de R$ 3,50 por dólar, ou seja, fechar abaixo disso nas próximas semanas'', disse.
No relatório, Kontopoulos afirmou que, dado o padrão histórico de vulnerabilidade cambial, as moedas de países latino-americanos estão próximas de iniciar uma fase benigna. Com base num índice de vulnerabilidade calculado pela Merrill Lynch, Kontopoulos afirmou que outubro registrou o nível mais baixo de vulnerabilidade dos últimos dez anos em moedas da América Latina. ''Seguindo o padrão semelhante dos meses anteriores, a depreciação cambial continuou a ser o principal fator para esses baixos níveis de vulnerabilidade, especialmente para o real, para os pesos argentino e chileno e para o bolívar venezuelano'', disse.
Kontopoulos, no relatório, disse que o estresse do mercado cambial da América Latina está concentrado no Brasil. ''Apesar de já ter precificado o fim das incertezas com o processo eleitoral, o mercado ainda parece cético sobre as políticas para o futuro do novo governo e parece também mais cauteloso por conta das renovadas pressões inflacionárias'', afirmou.
Num ambiente altamente volátil, prosseguiu Kontopoulos, a vulnerabilidade do real caiu para o nível mais baixo em dez anos. ''Embora a oferta de dinheiro e a inflação tenham mostrado uma tendência de alta (forçando o BC a elevar a taxa de juros em 300 pontos-base em outubro), uma taxa nominal do câmbio mais fraca ajudou a puxar a vulnerabilidade do real para um nível mais baixo'', disse.

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