Merrill Lynch insatisfeito com decisão argentina
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Agência Estado 
Bruxelas - O banco de investimentos Merrill Lynch reagiu ontem com insatisfação à declaração do governo argentino de que pagará apenas 25% do total da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que é de US$ 94 bilhões, e também cancelará o pagamento de todos os juros atrasados desde o começo da moratória, em dezembro de 2001. O Merrill diz, em relatório dirigido a seus clientes, acreditar que ''os investidores devem receber a proposta argentina de forma negativa''.
O anúncio de Buenos Aires deve ser analisado, de acordo com o Merrill Lynch, como uma mensagem ''político-doméstica de que os investidores em Bonds compartilhem a carga do ajuste e ainda, teve o objetivo de pressionar a redução dos preços do mercado atual''. O efeito líquido para o investidor, segue o banco, dependerá do tipo de título emitido e da consolidação eventual do novo débito, mas ''poderá ser avaliado facilmente mais baixo do que os altos US$ 20 cotados hoje''.
Dentro da complexa arquitetura de investimentos em bônus na Argentina, o governo terá que gerenciar a renegociação de 152 tipos de Bonds, emitidos em sete moedas diferentes e submetidos às regras de oito jurisdições nacionais.
Outro ponto indicado pelo Merrill, como parte do pacote argentino, é a reivindicação do total perdão dos juros. Porém, o Banco ressalta não acreditar que os investidores aceitarão ''facilmente'' a idéia. O Merrill prevê um corte dos juros acumulados entre 85% e 60%, que seriam pagos em forma de Bonds intermediários e não a 100%, conforme está sendo pretendido pelo governo argentino.
O ministro da economia, Roberto Lavagna, e o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, apresentaram anteontem, em Dubai, a oferta para a reestruturação da dívida junto ao FMI. O governo quer buscar uma redução de 75% do principal, além do ''perdão total'' dos juros acumulados a partir de 2001. A proposta inclui ainda uma reestruturação do principal e a definição do que seja ''débito elegível''. A dívida a ser reestruturada, explica o Merrill, inclui todos os bonds lançados antes de 31 de dezembro de 2001, que segundo estimativas de Buenos Aires , em dólar, somam US$ 87 bilhões. Os câmbios excluem US$ 23 bilhões de bodens (bônus novos, emitidos depois do calote) e US$ 16 bilhões de empréstimos nacionais ''garantidos''.


