Nova York A Merrill Lynch elevou a sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,1% para 1,6% em 2003. Apesar da revisão para cima da projeção, os estrategistas para mercados emergentes da Merrill Lynch, Felipe Illanes e David Beker, observam que a estimativa de crescimento do PIB do Brasil pelo banco de investimentos ainda está abaixo do consenso de mercado (registrado pela pesquisa Focus do Banco Central), que é de um crescimento de 2% neste ano.
''A razão para a nossa projeção estar abaixo do consenso de mercado é que a perspectiva para crescimento continua a derivar das restrições resultantes do ajuste nas contas externas observado no ano passado'', afirmam Illanes e Beker. Eles ressaltam que, apesar de a dramática redução nas necessidades de financiamento externo ser um fator que impulsionará o potencial de produção do País ao longo do tempo, o impacto retardado do ajuste nas contas externas terá um efeito na direção oposta na maior parte deste ano.
''Neste caso nos referimos à alta da inflação como resultado do forte realinhamento da moeda observado no ano passado. Isso permitiu que o ajuste nas contas externas ocorresse sem uma forte contração da atividade econômica, mas o impacto sobre a inflação deve ocorrer agora via menor demanda agregada se o objetivo de redução nas taxas de juros consistente com a redução na necessidade de financiamento quiser ser atingido'', disseram os analistas da Merrill Lynch.
Segundo eles, levando-se em conta a hipótese de que a estabilização da inflação será alcançada neste ano, as perspectivas de crescimento da economia brasileira em 2004 serão bem melhores, embora abaixo ainda do potencial de crescimento para tal momento. Illanes e Beker projetam um crescimento do PIB de 2,9% em 2004, com uma contribuição maior de fontes domésticas para tal crescimento.
Eles estimam uma expansão do consumo privado de 3,4% no próximo ano devido a uma recuperação da massa salarial real e, em menor escala, a melhores condições de crédito, entre outros fatores. Eles apostam que a redução de forma sustentada na taxa Selic deverá ocorrer a partir de agosto, fechando 2003 no nível de 22,5% ao ano.

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