O presidente do Grupo Financeiro Meridional, Paulo Ferraz, confirmou ontem, em entrevista coletiva, em Curitiba, que sua instituição financeira pretende se habilitar à compra do Banestado, assim que o processo de privatização seja realmente concretizado. ‘‘Nosso objetivo é conquistar o Paraná e nada melhor do que contar com a carteira de clientes do Banestado, seja na pessoa física ou nas pequenas e médias empresas. O banco paranaense tem nome e tradição no Estado e isso nos interessa’’, confirmou Ferraz.
O Grupo financeiro Meridional, o quinto maior do País em 1998, com lucro líquido de R$ 101,4 milhões, está criando uma diretoria regional no Paraná, com planos de dobrar o número de pontos de atendimento até o final do próximo ano. Atualmente o Meridional concentra atuação no mercado financeiro do Rio Grande do Sul e é ex-banco estatal. Foi adquirido pelo Grupo Bozano, Simonsen em dezembro de 1997, conta com um total de 224 pontos de atendimento no País. No Paraná, ele está presente em apenas 20 pontos de atendimento, número inferior ao de agências concentradas em Porto Alegre (RS).
Paulo Cézar Marques, funcionário do banco há 18 anos, foi escolhido para ser o diretor regional no Paraná e comandar o processo de expansão do grupo. O Meridional está adotando uma política bem diferente da maioria dos bancos. Enquanto a maior parte prefere abrir várias agências nas mais diversas regiões, o Meridional quer se fixar na Região Sul. No Rio Grande do Sul, a marca Meridional é forte e agora o banco quer crescer em Santa Catarina e no Paraná. Em Santa Catarina, o Meridional também pretende ser um candidato na compra do Besc - Banco do Estado de Santa Catarina -, também em fase de privatização. A curto prazo - até o final de junho -, o banco quer abrir cinco novas agências no Paraná, com um custo médio de US$ 1 milhão por agência.
Para atrair clientes no Paraná, que é o mercado prioritário do Meridional no momento, a instituição quer difundir o conceito de conveniência. Já existe um acordo firmado com as redes de supermercados Carrefour e Big para que sejam abertos postos de atendimento dentro dos mercados, no horário de funcionamento dos mesmos. Além disso, a idéia é difundir os caixas eletrônicos e evitar que o cliente precise ir à agência com frequência. Uma inovação, já em funcionamento no Rio Grande do Sul, é possibilitar aos clientes dos Bancos 24 Horas, que utilizem os serviços nos postos de atendimento do Meridional. ‘‘Desta forma, pretendemos atrair clientes de outros bancos demonstrando eficiência’’, explicou o presidente do grupo.
Banestado - Paulo Ferraz não entrou em maiores detalhes sobre o interesse na compra do Banestado. Segundo ele, por não se ter muitas informações sobre a situação da instituição. Mas garantiu que o Grupo Meridional tem um grande interesse no banco paranaense e que fará todo o possível para que a sua proposta seja a vencedora, quando a licitação acontecer. ‘‘Não podemos falar em números porque não sabemos qual o valor que será pedido, qual o ativo do banco e uma série de outros detalhes importantes. O que se pode afirmar é que o grupo fará tudo o que estiver ao nosso alcance para comprar o Banestado’’, afirmou o presidente do Grupo Meridional.
Conforme Ferraz, o Meridional pretende aproveitar o vazio deixado com a ausência de um banco privado específico e com fortes relações com o Paraná. Atualmente o Meridional possui 600 mil clientes em todo o Brasil, mas não conta com agências nas regiões Norte e Nordeste. Até o final deste ano, apesar das características recessivas atuais, o banco quer chegar a um milhão de clientes. A previsão de lucro do grupo para este ano é de R$ 120 milhões.

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