Dorico da SilvaConcorrência duraJosé Carlos Miguel diz que concorrência vai elevar preço no leilãoCinco bancos estrangeiros - da Espanha, Portugal e Estados Unidos - já demonstraram interesse em participar do leilão de privatização do Banco Meridional, previsto para agosto. A informação é do presidente do banco, José Carlos Miguel, que esteve ontem em Londrina. Apesar de não revelar o nome das instituições interessadas, Miguel conta que, na semana passada, recebeu telefonemas de representantes dos bancos estrangeiros que queriam informações sobre o leilão. Os bancos Bradesco e o Bozzano Simonsen também têm interesse em participar do leilão.
Pelo fato de já ter despertado tanta atenção, Miguel descarta a possibilidade do banco ser vendido ‘‘a preço de banana’’ como temem alguns bancários. Anteontem, em Curitiba, um grupo fez uma manifestação no centro de Curitiba, distribuindo 250 quilos de bananas às pessoas - numa indicação de que o governo federal pretende passar o banco para a iniciativa privada por um valor muito baixo. ‘‘Num processo de concorrência como este não dá para admitir que seja feito nenhum tipo de ajuste. Isso não vai acontecer’’, afirma.
Miguel também não acredita que haverá demissões por conta da privatização. ‘‘Os funcionários têm que segurar a ansiedade. A melhor forma é continuar trabalhando, como já vem sendo feito, tentando aumentar a base de clientes e a qualidade dos serviços’’, diz. ‘‘Mas não dá para garantir que nunca mais haverá demissão no banco. Não é a privatização que vai determinar isso, mas o mercado. Se alavancarmos nossos negócios, talvez tenhamos até que aumentar o número de agências e contratar pessoal’’.
Apesar de afirmar que não compete a figura do presidente defender ou não a privatização, Miguel garante que, caso o banco seja privatizado, ganhará mais agilidade. ‘‘O Meridional compete num mercado privado com dificuldades de estatal para conduzir os negócios. Nossas ações são submetidas a uma série de regras como, por exemplo, ter que fazer licitação para abrir agências, adquirir equipamentos ou vender um bem. Isto tira a agilidade do banco’’.
O Meridional pretende dobrar a carteira de crédito comercial passando dos atuais R$ 650 milhões para R$ 1,3 bilhão no prazo de um ano, segundo Miguel. A União tem 82,36% do capital total do banco. O restante - 17,64% - pertence a 49.082 acionistas. Com 7,2 mil funcionários e 222 agências no Brasil, o Meridional tem atualmente 623 mil correntistas e poupadores. No Paraná, são cerca de 700 funcionários e 20 agências (as de Rolândia e Marechal Cândido Rondon foram fechadas em fevereiro). Desde setembro passado, o banco aumentou o número de superintências de 10 para 18. A de Londrina foi criada há três meses. Embora o Meridional tenha tido prejuízo no ano passado, Miguel acredita que fechará o segundo semestre com superávit.
Além de ter visitado clientes de peso na região de Londrina, anteontem Miguel participou de um jantar em Arapongas que reuniu 92 empresários da região. Ontem de manhã, ele se reuniu com gerentes de 11 agências da região e com o superintendente do banco em Londrina, Jairo Fontenla da Silva e, à tarde, visitou agências.

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