BRASÍLIA - A recente retomada do processo de privatização do Banco Meridional, instituição financeira de propriedade da União, já despertou o interesse de pelo menos dois bancos. Bradesco e Bozzano Simonsen, este último ex-gestor do Banerj, foram as empresas habilitadas, até agora, pelo Banco Central, a ter acesso às informações sobre o banco federal.
A situação da carteira de créditos e outros números do Meridional serão analisados a partir de hoje, durante duas semanas, pelos dois bancos interessados, a fim de definir se fazem ou não proposta de compra da instituição.
O prazo para que empresas com interesse no Meridional se habilitem a receber informações ainda está aberto. Por isso, o Banco Central acredita que outros interessados surgirão. O processo de privatização do banco federal foi formalmente retomado na semana retrasada, quando o BC publicou ‘‘comunicado relevante’’ na imprensa convocando interessados a se habilitar à fase de acesso aos números da instituição.
Para abrir os dados, que são sigilosos, o BC exige comprovação de capacidade econômico-financeira de pelo menos R$ 287 milhões e compromisso formal de confidencialidade sobre as informações obtidas. O comunicado publicado permite que se habilitem também empresas estrangeiras.
O processo de privatização do Meridional foi suspenso em meados do ano passado, em decorrência de questionamentos sobre a qualidade dos créditos do banco (parte deles seria de recebimento duvidoso ou de baixa rentabilidade). Recentemente, o governo determinou uma operação de transferência de créditos entre Meridional e Caixa Econômica Federal, para tornar mais atraente a carteira de créditos do banco a ser privatizado. Toda a carteira de financiamentos imobiliários do Meridional e também parte da carteira comercial do banco foram vendidas à CEF.
A operação com a CEF, que envolveu mais de R$ 700 milhões, foi o ajuste prévio que faltava para dar prosseguimento à privatização, explicou o diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch, ao anunciar que o processo estaria sendo retomado com a convocação de interessados. Segundo disse ainda o diretor na mesma ocasião, não seriam necessários novos ajustes.
O Meridional surgiu da ‘‘federalização’’ do antigo Sulbrasileiro, banco privado, com sede em Porto Alegre (RS), que sofreu intervenção do Banco Central em 1985. A data da volta do banco ao controle da iniciativa privada ainda não está definida, pois o BC não marcou o dia do leilão de privatização. O preço mínimo de venda tampouco está definido. Além da definição de preço, a venda do Meridional depende também da realização da etapa de pré-qualificação, durante a qual o BC analisa se a instituição interessada teria ou não condições de assumir o controle do banco, caso ganhasse o leilão.
Só os pré-qualificados pelo BC podem apresentar propostas de compra no leilão de privatização de instituições financeiras. No caso dos interessados no Meridional, a pré-qualificação terá de ser feita conjuntamente com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), pois será vendida também a seguradora controlada pelo banco, a Meridional Companhia de Seguros Gerais. Também estão no ‘‘pacote’’ a ser ofertado no leilão outras três empresas controladas: a Meridional Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio S.A., a Meridional Leasing S.A., a Meridional Comércio Internacional Ltda. e a Meridional Artes Gráficas Ltda.

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