Mergulho da Nasdaq preocupa mercado
Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro fechou os negócios na semana passada com o sentimento de que o período de maior incerteza, alimentada pela forte turbulência das ações em Nova York, ficou para trás. A reação do índice Nasdaq, cujo mergulho provocou abalo nos mercados mundiais, incluído o brasileiro, estaria sugerindo volta à normalidade e afastando o risco de uma vigorosa baixa, temida pelos investidores.
O diretor-executivo do Deutsche Bank, David Gotlib, diz que o quadro de dúvida lá fora permanece, mas o cenário tenderá à relativa estabilidade se o índice Nasdaq, que agrupa ações de alto risco, permanecer comportado, acomodado num intervalo entre 4 mil e 5 mil pontos por um período mais longo. Se ele despencar abaixo disso, pode arrastar os demais mercados mundiais. O Nasdaq avançou 178,88 pontos ou 4,19%, para o nível de 4.446,44 pontos, no encerramento do pregão de sexta-feira.
Ele comenta que, no início do ano, o mercado separou, nos Estados Unidos, a economia nova, traduzida pelas ações de tecnologia, biotecnologia e Internet do índice Nasdaq, e a economia velha, expressa nas ações de empresas tradicionais do índice Dow Jones. E de lá para cá o mercado doméstico tem seguido sistematicamente ora um, ora outro.
Um olhar mais atento aos dois índices sugere que o mercado está com dúvidas sobre o que pode ocorrer nas economias que refletem, principalmente, nas empresas de tecnologia. São incertezas em relação ao futuro e ao lucro delas, por exemplo, que, segundo Gotlib, levam a quedas da magnitude que teve o Nasdaq na semana passada. Ele comenta que muitas empresas de tecnologia precisam ampliar expressivamente o faturamento e, por extensão, os lucros para justificar a berlinda em que estão, e apenas algumas delas, uma minoria, sobreviverão.
A elevada instabilidade provocada pelos solavancos do índice Nasdaq afetou também o mercado doméstico de ações. O diretor-executivo do Deutsche Bank lembra, porém, que tanto nos Estados Unidos como no Brasil os fundamentos da economia não mudaram. Do ponto de vista macroeconômico, nada mudou, os fundamentos da economia brasileira estão muito bons, com expansão do crescimento.
O cenário positivo pode ser atrapalhado apenas se houver uma aceleração da inflação ou uma recessão econômica nos EUA. Gotlib aponta ainda o recuo dos preços do petróleo e dos juros norte-americanos como duas variáveis externas positivas para o mercado de ações.Expectativa é de calmaria no cenário internacional, com reflexos positivos no Brasil. Mas ambiente ainda é de incertezas
Arquivo FolhaEXUBERÂNCIA IRRACIONALQueda das ações da Microsoft, estrela de primeira grandeza do índice Nasdaq, que reúne as empresas de alta tecnologia, levou os investidores a suspeitar do futuro da nova economia





