Mercosul vê se afastar integração
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segunda-feira, 04 de dezembro de 2000
France Presse Do Rio 
O Mercosul vive dias de crise: a instabilidade na Argentina, a conseguinte instabilidade do real e a notícia de que o Chile, um dos futuros membros, está negociando um acordo comercial com os Estados Unidos afastaram novamente o sonho da integração. Com esta integração sul-americana o Brasil esperava compensar a hegemonia americana na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que entrará em vigor em 2005.
Segundo os especialistas brasileiros, a crise econômica na Argentina obrigou este país há meses a se proteger e criar barreiras para os produtos brasileiros que chegavam com preços mais competitivos.
Em dez anos, o intercâmbio entre os dois países se multiplicou. Em 1990, o Brasil exportou para a Argentina US$ 645 milhões e este ano as vendas chegarão a US$ 4,6 bilhões. As importações do país vizinho passaram de US$ 1,3 bilhão em 1990 a US$ 5 bilhões em 2000, segundo dados oficiais.
Esta dependência faz com que qualquer turbulência em um dos países repercuta imediatamente no outro, como ocorreu na semana passada no Brasil, quando o real registrou uma significativa depreciação em relação ao dólar, enquanto em Buenos Aires se aprovava o novo orçamento e o valor do empréstimo de ajuda do FMI.
Até a grande vitória deste ano, o acordo sobre os automóveis firmado há uma semana, depois de meses de intermináveis negociações, passou quase despercebido levando em conta a situação na Argentina e o interesse pelo Chile de aderir ao Nafta.
Primeiro defensor da incorporação do Chile ao Mercosul, o governo brasileiro decidiu no sábado interromper as negociações e se mostrou surpreso e incomodado com a atitude chilena. Não em vão: o Brasil tinha recebido críticas dos outros sócios por aceitar as condições de Santiago para se integrar no bloco, as quais iam desde preferências tarifárias à liberdade de continuar negociando acordos bilaterais com parceiros alheios ao Mercosul.
Segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores da câmara dos deputados, Luis Carlos Hauly, a crise econômica na Argentina, e as dificudades dos quatro membros do Mercosul para chegarem a um acordo sobre açúcar ou carros fizeram desistir o Chile. Qual a motivação para fazer parte do Mercosul atualmente?, indagou.


