Mercosul-UE: propostas frágeis
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu ontem que o Mercosul poderia fazer uma oferta de abertura mais ampla dentro da negociação com a União Européia (UE).
Rodrigues se reuniu com o comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, de quem ouviu que as ofertas européias para o Mercosul são conservadoras, mas que não era possível fazer uma oferta mais ampla sem contrapartida.
O ministro disse que há pontos tratados pelo Mercosul que precisam ser mais flexibilizados. Ele citou o caso do açúcar, que é um produto que o bloco ainda não tem definição clara sobre a posição a ser negociada com a União Européia.
Nesse caso, Rodrigues disse que fica difícil para o Brasil pedir, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma abertura maior para o açúcar exportado.
Mas, o ministro destacou as ofertas da UE para o Mercosul também são muito tímidas, principalmente com relação aos produtos agrícolas.
Rodrigues disse que Lamy insistiu, no encontro, para que o Brasil coloque suas prioridades comerciais de forma clara. Segundo ele, o comissário está disposto, após essa explicitação das prioridades brasileiras, a trabalhar com a opinião pública européia para que seja possível uma maior abertura comercial no relacionamento com o Brasil.
O ministro disse ao comissário que considerava os efeitos positivos da globalização, mas que havia o negativo que era o crescimento forte da exclusão social e da concentração, o que ''é uma ameaça a humanidade, a democracia e a paz', segundo Rodrigues.
Segundo o ministro, a necessidade de abertura dos mercados de países mais ricos é uma questão ''irrecorrível'. No encontro com Lamy, ele enfatizou a necessidade de abertura para produtos que tenham maior valor agregado, para o açúcar, carnes, frutas, hortaliças processadas e fumo.


