O Mercosul, agitado pela crise brasileira que levou à desvalorização do real, discutirá hoje no Rio de Janeiro medidas a adotar para fortalecer a união aduaneira, em sua primeira reunião após o ataque especulativo à economia brasileira. Os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai participarão no Rio da inauguração de um fórum empresarial entre representantes da União Européia e do Mercosul, e se reunirão por cerca de uma hora.
É provável que a reunião extra-oficial gire em torno da necessidade do bloco de coordenar suas políticas macro-econômicas, descartando o protecionismo mesmo em caso de desvalorização monetária, a fim de lutar pela sobrevivência de um Mercosul que está em xeque.
Os presidentes devem discutir também a iniciativa argentina de dolarizar a economia regional, classificada como ‘‘descabida’’ por alguns analistas e como ‘‘solução’’ por outros, diante dos ataques especulativos.
A anulação do Programa de Incentivos à Exportação (Proex) para os quatro países do Mercosul e para todos os bens, exceto os de capital, anunciada pelos presidentes da Argentina e do Brasil após um encontro no dia 12, será comunicada oficialmente ao Paraguai e ao Uruguai. Neste encontro, Cardoso e Menem também decidiram criar um grupo especial de acompanhamento bilateral, para ‘‘avaliar os possíveis efeitos da flutuação cambial nas duas economias’’.
A desvalorização da moeda do Brasil, a maior economia latino-americana, provocou a diminuição das exportações dos parceiros comerciais, ao mesmo tempo em que os produtos brasileiros, bem mais baratos, estão invadindo os países vizinhos e provocando protestos entre industriais e agricultores argentinos, uruguaios e paraguaios.
Menem já avisou que pretende transmitir sua ‘‘plena solidariedade’’ ao Brasil, ‘‘para que se possa superar rapidamente a crise’’. Também assegurou que fortalecer o Mercosul é o melhor caminho ‘‘para enfrentar todo esse processo de globalização que vive o planeta’’, alertando que estabelecer medidas protecionistas é o mesmo que ‘‘dar um ponto final’’ ao Mercosul.
O Uruguai, por sua vez, leva ao Rio um objetivo parecido: ‘‘o fortalecimento institucional do processo (...) e da corrente de comércio, sem se deixar cair na tentação do protecionismo ante as mudanças de poder relativas a mudanças de câmbio na região’’, disse Elbio Rosselli, principal negociador uruguaio no Mercosul.
Segundo ele, o presidente Julio Sanguinetti proporá convocar os mecanismos de coordenação de políticas macro-econômicas, e do ponto de vista comercial tentar que o Brasil flexibilize o financiamento de suas importações.
O Paraguai não deve levar ao encontro nenhuma reivindicação em particular, disseram fontes do governo paraguaio. Por outro lado, o presidente Raúl Cubas falará sobre a necessidade de criar ‘‘ferramentas’’ para atenuar a crise, em meio a protestos de associações industriais e de empresários locais, que exigem a revisão do Tratado do Mercosul.
Os três parceiros pedem ao Brasil, diante do desequilíbrio entre os preços relativos dos países do Cone Sul com a desvalorização do real, que elimine as restrições às importações provenientes do Mercosul.

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