Genebra O Mercosul avisa: se não houver uma real liberalização agrícola nas economias centrais a partir de 2005, os países em desenvolvimento não estarão dispostos a abrirem seus mercados para serviços e investimentos dos países ricos. Ontem, os representantes dos países do Mercosul se reuniram em Genebra com o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panichpakdi, para deixar claro que a rodada de negociações não terá sucesso se o tema agrícola não for tratado.
''Não queremos radicalizar as negociações, mas precisamos manter a integridade da rodada lançada em Doha, em 2001'', afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Luiz Felipe Seixas Corrêa, que participou da reunião. Outros diplomatas do Mercosul que estiveram no evento ainda afirmaram que a mensagem passada à OMC foi de que o bloco não aceitaria um adiamento do prazo dado para a conclusão da rodada.
Segundo o mandato da OMC, as negociações devem estar concluídas até dezembro de 2004, para que a liberalização comece a ser aplicada a partir do primeiro dia de 2005. Diante das diferentes posições dos 145 países da OMC, alguns governos já estariam pensando em adiar o fim das negociações para 2007. ''Não podemos aceitar isso'', afirmou um diplomata do Mercosul.
Apesar da pressão do Mercosul, as dificuldades em se chegar a um acordo são evidentes. No início da semana, o chefe das negociações agrícolas da OMC, Stuart Harbinson, apresentou mais uma proposta de liberalização. Mais uma vez, porém, os países se queixaram da proposta, afirmando que seus interesses não estavam sendo representados.
Brasil e os demais países exportadores de produtos agrícolas reclamam que o modelo de liberalização não é ambicioso o suficiente. Segundo a proposta, todos subsídios às exportações seriam eliminados apenas ao final de nove anos (período que começaria a contar a partir de 2005).
Já os subsídios domésticos seriam reduzidos em 60% em cinco anos. Nos países desenvolvidos, as barreiras tarifárias acima de 90% para produtos agrícolas seriam cortadas em torno de 60% em cinco anos. Tarifas entre 15% e 90% teriam uma redução média de 50% e as barreiras abaixo de 15% teriam cortes de 40%.

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