O presidente mundial da Renault, Louis Schweitzer, garantiu ontem que a crise econômica mundial não vai interferir nos planos da montadora para o Mercosul, que deverá, de acordo com os planos, se tornar o segundo mercado da empresa, perdendo apenas para a Europa. A nova fábrica da Renaut foi inaugurada ontem pela manhã em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, numa solenidade que contou com a participação do presidente Fernando Henrique, do governador Jaime Lerner, de toda a direção da montadora e três mil convidados.
Schweitzer fez uma avaliação otimista do cenário econômico do Brasil. A crise que afeta o País, afirmou, é sazonal e será superada em breve. Os planos da Renault consideram um cenário de 10 a 30 anos.
O presidente mundial da montadora francesa afirmou que o investimento de R$ 670 milhões na fábrica brasileira se justifica também pelo potencial do Mercosul. Segundo informou, em no máximo três anos este mercado deverá responder por uma comercialização de cerca de três milhões de veículos. A meta da Renault é abocanhar 10% deste mercado em 2005. Atualmente, tem 1,5% do mercado brasileiro e menos de 20% do argentino. ‘‘Se quisermos crescer, temos de apostar em novos mercados’’.
A Renault tem 10% do mercado europeu que comercializa cerca de 15 milhões de veículos/ano. A mesma tecnologia utilizada nos modelos que cativam o consumidor dos países desenvolvidos será utilizada como estratégia para conquistar o Brasil e países vizinhos. O presidente da montadora disse que a empresa vai oferecer produtos diferenciados. O modelo de estréia, o Scénic, que estará sendo lançado comercialmente até março, traz como inovação o conceito de monovolume. Um carro de passeio com grande espaço interno e que pode até ser transformado em furgão. Sem citar números, Louis Schweitzer disse apenas que o veículo deverá ser comercializado com preço equivalente a veículos sofisticados, na faixa de US$ 25 mil (leia mais na página 2).
Ainda de acordo com o presidente da montadora, a empresa pretende imprimir seu know-how, mas fará adaptações para competir no mercado brasileiro e da América Latina. Os carros serão distribuídos por uma rede de 60 concessionários credenciados até o final deste ano. Até o ano 2000, a Renault pretende contar com 170 representantes.
Como o veículo popular representa 70% do mercado nacional, a Renaut deve lançar até setembro o Clio 2. Schweitzer disse que o modelo deverá ter motor menor - da categoria 1000 cilindradas - e preço equivalente aos modelos já disponíveis no mercado.

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