Mercosul poderá ter moeda única em 2012
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domingo, 01 de junho de 1997
Jô Galazi Agência Estado 
RIO - Em 2012, os países do Mercosul, e até alguns vizinhos como o Chile, deverão ter uma única moeda, a exemplo do que está acontecendo, com certo sucesso, na Europa por força do Tratado de Maastricht. Isso é o que propõe o economista Fábio Giambiagi, do Departamento de Economia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em um estudo que acaba de concluir. A idéia de uma moeda única para o Mercosul, com a decretação da morte das moedas nacionais como o real brasileiro e o peso argentino, já começa a ser tema de debate no governo.
Fábio Giambiagi explica que o seu estudo é apenas uma proposta, com um cronograma tentativo para o processo de unificação monetária, cujo início se daria em 1999. A unificação seria uma consequência inevitável do êxito comercial do Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Pela proposta, o também único Banco Central do bloco tenderia a ficar no Brasil ou na Argentina e de um desses dois países sairia o presidente da instituição. Como compensação, o nome da moeda seria herdado de um dos países integrantes do acordo, mas de menor porte econômico. Assim, se o eleito fosse por exemplo o Paraguai, o dinheiro usado pelos brasileiros, argentinos, uruguaios e outras nações que aderissem à unificação seria o guarani.
No entender do economista, os problemas que se podem esperar em uma unificação monetária no Mercosul seriam em grande parte inferiores às dificuldades que a União Européia está enfrentando para adotar o euro, a moeda comum da região. Como lembra, o Mercosul compõe-se de apenas quatro países, que já estão fazendo um ajuste fiscal antes mesmo de falar em moeda única. Já a União Européia tem 12, com ajustes ainda a serem feitos. Além disso, alguns dos idiomas da região são muito diferentes entre si, há feridas várias seculares mal cicatrizadas, como as de guerras, além de idiossincrasias nacionais muito mais relevantes do que as verificadas no Mercosul. As dificuldades para os ingleses abandonarem a sua libra esterlina, tão sólida e antiga, não tem contraponto na América do Sul, onde a inflação matou uma grande quantidade de moedas.
O economista admite que haveria uma perda de soberania dos países integrantes, no que se refere á liberdade de usar isoladamente instrumentos de política econômica. Este é um dos argumentos que se tem levantado mais comumente contra unificações monetárias. A questão, entretanto, segundo Giambiagi, é que lança-se mão de instrumentos de política econômica para enfrentar problemas, como recessões profundas alta inflação ou crises no balanço de pagamento que dificilmente poderão ocorrer isoladamente em um País que faça parte de um acordo de unificação monetária.


