Mercosul não quer Alca antes de 2005
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segunda-feira, 12 de maio de 1997
Agência Estado de São Paulo 
O Mercosul não vai abrir mão de sua proposta de criação gradual da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) até o ano 2005, embora a disposição dos Estados Unidos e o do Canadá seja a de pressionar por uma antecipação para 2003. De acordo com o secretário adjunto de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Mario Marconini, o Mercosul quer negociar a Alca em três etapas. Essa posição não será alterada, disse à Agência Estado.
O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai querem, primeiro, a facilitação dos negócios, o que envolve uma ampla flexibilização das barreiras aduaneiras por parte dos países do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). Para Marconini, só depois de superada essa fase, as questões ligadas a disciplinas comerciais poderiam começar a ser negociadas pelos 34 países americanos, exceto Cuba. Ou seja, aspectos como regras de salvaguarda e antidumping ficariam para depois.
Finalmente, afirma o secretário, a partir de 2003 começariam a ser negociados compromissos de liberalização de bens e serviços, como a reduação tarifária e a eliminação de barreiras não-tarifárias. Nessa fase entrariam ainda temas como as compras governamentais e licitações internacionais. Temos muito a discutir, afirmou Marconini.
Ele informou que o Mercosul negociará em bloco e, apesar dos recentes problemas comercias criados com a restrição ao financimento das exportações, a Argentina tem a mesma posição do Brasil. Os argentinos já perceberam que, apesar de terem um mercado mais aberto do que o nosso, não se pode abrir mais do necessário as portas para o mercado externo em detrimento da indústria nacional, acrescentou.
Especialistas em direito internacional acreditam ser necessário um debate mais amplo com a sociedade antes de o Brasil pensar em alienar seus interesses comerciais, principalmente, com os Estados Unidos. Para Durval Noronha, da Noronha Advogados, os EUA não estão nem um pouco interessados na integração das Américas. Ao contrário, eles querem mesmo é saber como, quando e quanto dinheiro vão ganhar com a criação da zona de livre comércio, afirma Noronha, consultor do Itamaraty para assuntos de legislação internacional.


