Kraw PenasAberturaO prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi; o diretor do Aspen, David Maclaughlin; vice-presidente da Argentina, Carlos Ruckauf e o presidente da Aspen, Carlo Scognamiglio: blocos em debateO vice-presidente da Argentina, Carlos Ruckauf, afirmou ontem que antes de pensar em fazer parte da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), os países que compõem o Mercosul precisam aperfeiçoar melhor o seu próprio bloco econômico. Ruckauf esteve em Curitiba para acompanhar o Seminário Internacional União Européia-Mercosul. O encontro, que termina hoje, discute a ampliação das relações comerciais com os países europeus e a situação do Mercosul.
Segundo Ruckauf, o Mercosul tem se consolidado como um forte bloco econômico frente ao mercado internacional, mas é necessário ampliar a participação de países como Chile e Bolívia, que recém-assinaram acordos de livre comércio. ‘‘Depois de nos aperfeiçoarmos, vamos ter uma vantagem significativa’’, afirmou o vice-presidente argentino, ao se referir à Alca.
O respeito que o Mercosul tem conquistado frente à comunidade internacional foi um dos principais pontos que uniu os discursos na abertura do seminário, que é organizado pela filial italiana do Instituto Aspen (fórum de empresários voltado a promover relações comerciais e industriais). O coordenador do evento e presidente do instituto Carlo Scognamiglio disse que o encontro permitirá fortalecer as relações comerciais entre Mercosul e União Européia.
Um dos países que mantém maior intercâmbio comercial com o Mercosul é a Itália. No ano passado, foram movimentados US$ 2 bilhões entre exportação e importação da Itália para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
A ampliação dos negócios entre as pequenas e médias empresas é um dos setores que mais interessa aos italianos. ‘‘As pequenas e médias empresas ainda não entraram em contato com o Mercosul e vejo condições para ampliar as relações comerciais’’, afirmou Scognamiglio, que também ocupa a posição de senador na Itália.
Os europeus descobriram que podem investir no Mercosul e obter melhores condições de retorno financeiro do que se mantiverem os investimentos concentrados em seus países. ‘‘Os italianos vêm ao Brasil e podem produzir derivados agrícolas a um custo final menor que no mercado original. Isso faz com que se sintam atraídos pelo Mercosul’’, afirmou o vice-presidente argentino.
Durante o seminário, os participantes irão debater ainda as condições e acordos que podem ser firmados para colocar na prática a aproximação entre Mercosul e União Européia. O acordo de abertura gradual no comércio entre os dois blocos econômicos foi firmado em 1995.
Um dos objetivos da reunião de Curitiba é mostrar que está nas mãos da iniciativa privada intensificar as relações comerciais. Segundo o presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (entidade vinculada ao Ministério das Relações Exteriores), João Clemente Baena Soares, os governos do Mercosul e União Européia já fizeram a ‘‘moldura’’ jurídica e política para aproximar os blocos. ‘‘O que precisa agora é um esforço maior do empresariado’’, disse Soares.

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