Rio- Com uma comitiva de cerca de 100 pessoas e blindado por rigorosa segurança, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou para participar da Cúpula do Mercosul que começa hoje, atribuindo a si mesmo a realização da reunião prévia de chefes de Estados para discutir a integração sul-americana e, como de costume, gerou polêmica. Ele defendeu a ''reforma'' do Mercosul, afirmou que está ''descontaminando'' o bloco (no qual seu país ingressou recentemente) do neoliberalismo e bateu duro no assessor especial da Presidência do Brasil para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Segundo ele, Garcia (um dos integrantes da cúpula petista mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo coordenado sua campanha à reeleição e presidido o PT durante o afastamento do deputado Ricardo Berzoini) levou um ano para apresentar um relatório de apenas cinco minutos, sobre a integração.
''Foi formada uma comissão, coordenada por Marco Aurélio Garcia, em que cada país tinha um representante'', afirmou, pouco depois de chegar ao Hotel Rio Othon Palace, em Copacabana, na zona sul. ''Fizeram não sei quantas reuniões. Trabalhou-se muito por um ano. Chegamos a Cochabamba (na Bolívia, onde houve uma reunião anterior de governos sul-americanos). Disseram: 'Vai ser dado o informe de Marco Aurélio. E Marco Aurélio falou cinco minutos. Fiquei gelado. E ninguém perguntou nada! E eu disse: 'É este o informe de Marco Aurélio? Depois de um ano de trabalho?'.''
Chávez contou que queria discutir mais o assunto (que envolve a integração do Mercosul com a Comunidade Andina da Nações numa mesma área de comércio), mas outros chefes de Estado alegaram não haver tempo. ''Eu reclamei, e então Lula, sempre generoso, ofereceu esta reunião para discutir, um dia antes, os temas da união sul-americana'', narrou.
Ele afirmou ter vários nomes para propor e citou um: UNSUR (sigla em espanhol para União Nacional Sul-Americana). Chávez voltou a defender a constituição de um ''Banco do Sul'' para financiar o desenvolvimento sul-americano, o que considera ''mais sólido'' que o fundo atualmente existente. Há cinco anos, afirmou, diziam que a proposta era uma ''loucura sua'', mas agora,não. ''Agrada a Lula'', declarou, dizendo que chegava com o ''espírito de Chávez'': o da integração.
O presidente venezuelano revelou que se prepara para assinar com Cuba 11 convênios estratégicos, contou que vai formar uma empresa de comunicações com os cubanos e ironizou as críticas que recebeu por anunciar a nacionalização dos setores de energia e telecomunicações da Venezuela. ''Vocês trabalham nos meios (de comunicação) e sabem como são os meios'', ironizou. '' (Dizem) Esse Chávez vem envenenar o Mercosul, vem contaminá-lo... Estamos descontaminando-o do neoliberalismo.''

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