Lima O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou emprestada, ontem, a sugestão de seu colega peruano, Alejandro Toledo, e defendeu a criação de uma ''comunidade sul-americana'' a partir da conclusão do processo de integração comercial entre o Mercosul e os países andinos. Do ponto de vista de Lula, o projeto seria crucial para que os países da região possam derrubar, nas negociações multilaterais, as medidas protecionistas impostas pelas economias mais desenvolvidas e, em especial, para evitar que a América do Sul seja ''sufocada'' pela Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
A motivação para esse projeto surgiu com a finalização do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Peru, na madrugada de domingo. Embora incompleto, o documento foi assinado ontem por Lula e Toledo. Ambos destacaram que o acerto será o primeiro passo para o difícil acordo entre a Comunidade Andina de Nações (CAN) e o bloco sul-americano.
''Quanto mais próximos, quanto mais políticas comuns nós tivermos, quanto mais entrosamento houver entre os nossos empresários, trabalhadores e políticos, mais chances nós teremos de enfrentar as grandes negociações'', insistiu o presidente Lula. ''Sobretudo, para tentar quebrar as barreiras protecionistas, através das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). E para não permitir que a Alca se transforme em um instrumento sufocador das nossas possibilidades de crescimento, mas para que ela seja uma oportunidade para termos uma relação comercial, política e cultural mais harmônica, onde ninguém vai querer levar vantagens sobre os outros.''
Na semana passada, o chanceler peruano Allan Wagner havia declarado ao jornal ''El Comércio'' que o objetivo fundamental da política externa de seu país seria o aprofundamento de relações e o acordo de livre comércio com os Estados Unidos. A Colômbia foi convidada na semana passada por Washington para negociar um acerto nesses termos.
''O acordo que acabamos de assinar não tem o objetivo de impedir que os países fechem acordos bilaterais com quem quer que seja'', afirmou Lula, que lembrou que cerca de 52% do comércio exterior brasileiro se dá exatamente com os Estados Unidos e a União Européia. ''Esse acordo (entre o Mercosul e o Peru) foi um passo extraordinário para a integração da América do Sul'', completou ele.

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