Os quatro países do Mercosul e os Estados Unidos começam hoje a primeira rodada de discussões sobre um amplo acordo econômico-comercial. O encontro, que acontece em Punta del Este, no Uruguai, deverá selar o compromisso dos cinco países em torno das negociações de um acordo de livre comércio. Apesar de considerar essa discussão como um meio de ampliar o acesso de seus produtos ao mercado americano e de estar certo de que será o mais favorecido entre os sócios do Mercosul, o Brasil mantém uma posição cautelosa.
A rodada de hoje foi convocada pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, o principal negociador americano, e ocorrerá durante um café da manhã. Para o encontro, foram convidados os ministros das Relações Exteriores dos quatro sócios do Mercosul, entre os quais o chanceler brasileiro, Celso Lafer. Esse evento ocorre em paralelo à reunião do Grupo de Cairns, um clube composto pelos principais países exportadores agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro mantém uma postura cautelosa em relação ao assunto, mas nutre interesse especial em firmar um acordo comercial com os Estados Unidos. O Palácio do Planalto concluiu que as negociações da Alca tendem a se complicar, na reta final, por conta dos interesses divergentes entre as 34 economias envolvidas e das dificuldades de o governo americano conseguir a autorização do seu Congresso para fechar um acordo final o chamado trade promotion authority. Com isso, a discussão com os Estados Unidos ganhou maior importância.
As exportações para os Estados Unidos representam cerca de 24% do total dos embarques brasileiros ao exterior. Um terço das manufaturas do Brasil destinadas ao exterior acaba no mercado americano. O principal item da pauta é a aeronave regional, vendida pela Embraer uma mercadoria de elevado valor agregado. Produtos do setor siderúrgico, entretanto, sofrem pesadas restrições, assim como o suco de laranja, os calçados e os têxteis. O acordo com os Estados Unidos, portanto, tenderia a abrir mais o acesso de produtos industrializados brasileiros.

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