Mercosul e Can firmam acordo
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domingo, 04 de abril de 2004
Ariel Palacios<br>Agência Estado 
Buenos Aires- Representantes dos países do Mercosul e da Comunidade Andina (CAN) concluíram na capital argentina as negociações para a formação de um ambicioso acordo de livre comércio entre os dois blocos da América do Sul. A conclusão das negociações, que levaram oito anos, coincide com o estancamento das discussões da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
O Mercosul já contava com acordos comerciais com dois países da CAN, como a Bolívia (país que possui a categoria de ''associado'' ao bloco do Cone Sul desde 1996) e o Peru (com o qual assinou um acordo no ano passado). Neste fim de semana foram fechadas as negociações com os países restantes, neste caso, a Colômbia, o Equador e a Venezuela.
O acordo será formalizado durante uma reunião em Quito, a capital equatoriana, em julho. A previsão é que na cúpula, sob a batuta do presidente nacionalista Lucio Gutiérrez, os presidentes dos países dos dois blocos comerciais assinarão o acordo, que constituirá a área de livre comércio sul-americana.
Com a rubrica no acordo, os dois blocos se comprometem a liberalizar as tarifas de 80% dos produtos que participam do intercâmbio comercial entre o Mercosul e a CAN. As tarifas seriam reduzidas gradualmente até 0% ao longo de um prazo de 10 anos.
Os produtos considerados ''sensíveis'' terão suas tarifas reduzidas gradualmente ao longo de um prazo de 15 anos. Na lista ''sensível'', por parte do Mercosul estão o aço, têxteis e papel. Do lado da CAN, a ''sensibilidade'' abrange produtos como o trigo, soja e automóveis.
O evento em Quito promete marcar o território dos países sul-americanos perante as negociações da ALCA, na qual confrontam-se - em posições fortemente entricheiradas - os Estados Unidos e o Mercosul.
As negociações da ALCA começaram dois anos antes que as discussões Mercosul-CAN. Embora esteja previsto que a ALCA entre em funcionamento em janeiro de 2005, as perspectivas de que cronograma oficial seja cumprido estão cada vez mais longínquas.
Na semana passada, uma reunião ''informal'' da ALCA em Buenos Aires terminou em fracasso com uma intensa troca de acusações. Os Estados Unidos acusam o Mercosul de inflexibilidade e vice-versa.
Na ocasião, o vice-chanceler argentino, Martín Redrado, declarou com sutil ironia que era otimista em relação ao cumprimento do cronograma ''caso os negociadores trabalhem 24 horas por dia até janeiro''.


