Pela primeira vez em dez anos de história o Mercosul, o terceiro maior bloco comercial do mundo, corre o risco real de desintegrar-se. As divergências que se arrastam desde que a união aduaneira entrou em vigor, em janeiro de 1995, não se restringem mais apenas aos países do bloco e nem só a questões comerciais. Agora, extrapolaram as fronteiras físicas e já contaminaram os próprios governos. Tanto no Brasil como na Argentina os responsáveis pelas negociações estão divididos.
Uma ala defende a eliminação ou suspensão temporária da Tarifa Externa Comum (TEC), base fundamental da união aduaneira. Outra, insiste em sua manutenção. ''O que os quatro países precisam é saber se o Mercosul pode funcionar melhor com ou sem a TEC'', diz Michel Alaby, presidente da Associação de Empresas Brasileiras para Integração de Mercados (Adebim).
Na Argentina, as divergências entre os ministros de Economia, Domingo Cavallo, e de Relações Exteriores, Adalberto Giavarini, criaram um seríssimo problema para o presidente Fernando de la Rúa, que não sabe a quem escutar. No Brasil, as mesmas diferenças sobre o que fazer com a TEC colocaram em lados opostos o chanceler Celso Lafer e o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral.
Na tentativa de salvar o bloco, os ministros de Relações Exteriores e de Economia, além dos presidentes dos Bancos Centrais dos quatro países, decidiram se reunir extraordinariamente. O Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão executivo máximo do Mercosul, foi convocado pelo Uruguai para meados de outubro.
Antes, porém, as cúpulas econômicas e diplomáticas do Brasil e da Argentina vão se reunir em São Paulo, provavelmente entre os dias 8 e 9 deste mês, para tentar retomar as delicadas negociações entre os dois países e acertar suas posturas sobre a integração. ''Não adianta apenas tentar unificar o discurso. Precisam sim saber qual é realmente o objetivo do bloco'', afirmou Alaby.

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