Curitiba - Ao completar 20 anos, o bloco econômico do Mercosul, dos qual fazem parte Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, trouxe resultados positivos para os quatro países, mas ainda há muito a avançar. Essa é a opinião unânime de especialistas e entidades ouvidas pela FOLHA. Durante toda a trajetória, ocorreram altos e baixos nas relações comerciais. O período mais importante foi entre 1996 e 1997 no qual os fluxos de comércio eram mais elevados entre os dois principais parceiros, o Brasil e a Argentina. Hoje, cerca de 11,3% de tudo que os brasileiros exportam vai para os países do Mercosul.
Atualmente, um dos principais entraves é a falta da sintonia na política macroeconômica do bloco, especialmente, entre Brasil e Argentina. ''As políticas econômicas entre os dois deveriam ser convergentes'', disse o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. Os países teriam que ter metas ou objetivos semelhantes em relação à inflação, carga tributária, déficit público, câmbio e taxa de juros para que as economias fossem complementares e não concorrenciais. ''O que Brasil e Argentina têm feito nos últimos anos foi concorrer'', completa.
Ele destaca que um mercado comum pressupõe a inexistência de barreiras, mas o que tem ocorrido são retaliações comerciais. Para Lourenço, não basta apenas aumentar os fluxos de comércio comuns, mas ampliar os investimentos.
O principal aspecto positivo foi a facilidade no fluxo de mercadorias entre os países, segundo o assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo. ''O Paraná é o centro geográfico do Mercosul. O acordo entre os países trouxe bons efeitos. A balança comercial do Paraná com a Argentina é muito forte'', disse o secretário de Indústria e Comércio, Ricardo Barros.
O coordenador do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Paulo Ceschin, defende que deveria haver uma maior integração física entre os países através da utilização de hidrovias e não só do modal rodoviário. ''Há muita conversa e documentos no bloco. Precisamos de mais prática'', disse. Em relação ao Paraná, ele disse que houve melhora no comércio dentro do bloco, mas ainda falta aumentar a escala de produtos que são importados e exportados.
''O Paraná tem uma situação geográfica de capital do Mercosul e um papel mais importante que os outros estados brasileiros'', disse o vice-presidente e coordenador do conselho político da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marco Antonio Peixoto. Ele defende que poderia-se avançar mais nas exportações brasileiras, ou seja, aumentar a pauta de produtos, o que não acontece porque a Argentina limita a entrada de produtos do Brasil.
Em 2010, do total exportado pelo Brasil, 11,3% foram para países do Mercosul. O Paraná teve 15,7% das vendas externas destinadas para o bloco econômico. Os principais produtos que o Paraná exporta são veículos, produtos químicos, máquinas e equipamentos, papel, derivados de petróleo e produtos metalúrgicos.
No ano passado, 14,4% das importações do Paraná vinham do Mercosul. Os principais itens da pauta foram peças e veículos, cereais (soja, trigo) e insumos agroindustriais.

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