Brasília - O Mercosul comemorou ontem os seus dez anos debaixo de uma chuva de críticas por parte de novos e velhos sócios, mas, ignorando os problemas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma forte defesa do bloco. Ele falou dos avanços ocorridos neste período e assegurou que todos têm muito a comemorar. ''O Mercosul é mais do que uma opção, é um destino e é inegável que o Mercosul adquiriu, neste período, um poder enorme de atração'', disse Lula na abertura da reunião em Ouro Preto (MG). ''Assim, é no mínimo estranho que vozes pessimistas magnifiquem dificuldades e percalços que são naturais em qualquer processo de integração'', comentou Lula, ao falar do interesse do ingresso de outros países no mercado. ''Enquanto isso, cresce lá fora o interesse em dialogar com o nosso bloco e em associar-se a ele.''
Depois de lembrar que os países ''superaram as grandes diferenças e rivalidades'', salientou que ''os desafios que temos a vencer são fruto do nosso sucesso, da intensificação de nossas relações e da rede de interesses e possibilidades que construímos''. Para Lula, ''o Mercosul afirma-se como um espaço de paz e fortalecimento da democracia política''. Ele acrescentou: ''O Mercosul avança como eixo dinâmico da integração da América do Sul. A consolidação interna do Mercosul dá força e fôlego para nos projetarmos como um ator cada vez mais ativo e respeitado nas negociações externas.''
No encontro, em que o presidente Lula passou a presidência do Mercosul para o Paraguai pelos próximos seis meses, três vizinhos aderiram ao bloco - Venezuela, Colômbia e Equador - mas apenas o venezuelano Hugo Chávez participou da reunião. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, o mais aguardado, estava presente, assim como os presidentes do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, do Uruguai, Jorge Batlle; Ricardo Lagos, do Chile; Alejandro Toledo, do Peru; Carlos Mesa, da Bolívia; e Martin Torrijos, do Panamá.
O clima azedo das negociações comerciais entre brasileiros e argentinos ficou de fora do encontro dos presidentes dos países integrantes do Mercosul, em Ouro Preto. Sorridentes e bem à vontade, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner procuraram demonstrar que a relação entre eles está a melhor possível. Ao descer do ônibus que os trouxe de Belo Horizonte e durante a foto oficial, se abraçaram para os fotógrafos. Anfitrião da festa, Lula procurou o tempo todo descontrair o ambiente.
Na noite de quinta-feira, durante o jantar oferecido aos presidentes convidados, Lula já havia feito uma forte defesa do Mercosul e dado alguns recados. ''Para mim, é motivo de muito orgulho estarmos num jantar consagrando uma integração que, até ontem, muitos dos teóricos brasileiros e da América do Sul achavam impossível acontecer'', alfinetou o presidente, ao lado de Kirchner, acrescentando, ainda, que ''é importante que tenhamos divergências porque isso justifica a pluralidade do exercício da democracia em sua plenitude''.

mockup