Brasília - O Mercosul cobrou ontem da União Européia maior transparência nas negociações para a criação de uma área de livre comércio entre as duas regiões e exortou os europeus a apresentarem o pacote de concessões que eles estão dispostos a fazer. A Europa não aceitou a exigência.
Um experiente negociador sul-americano disse que a posição da UE dificulta que o prazo estabelecido para a conclusão do acordo (outubro) seja cumprido.
Antes de começar as conversas sobre esse assunto com a Europa, o diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Regis Arslanian, já havia indicado que, sem as propostas completas na mesa, ficava complicado cumprir o prazo. ''O tempo passa, e fica cada vez mais difícil corresponder a essa meta.''
O prazo só não foi descartado porque os dois lados ainda acreditam que negociações políticas entre os ministros podem destravar o processo. Nas conversas políticas, o Mercosul tentará trocar uma oferta mais generosa em compras governamentais, serviços e investimentos por uma proposta agrícola mais favorável. ''Chegou o momento de termos todo o pacote de melhoras do lado europeu e do Mercosul sobre a mesa de negociação'', disse, no início da tarde, Arslanian. ''Fica difícil avaliar a oferta se não conhecemos o quadro todo'', completou o embaixador brasileiro.
A pouco mais de dois meses do fim do prazo para a conclusão da negociações, que se arrastam desde 1999, nem os sócios do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) nem os europeus sabem exatamente o que têm a ganhar com o acordo. Os negociadores dos dois lados, no entanto, disputam quem será o primeiro a revelar suas ofertas, com medo de se decepcionarem com o que receberá do outro lado.
O resultado desse impasse é o avanço lento dos entendimentos entre os blocos. ''As negociações andam, na minha opinião, muito devagar'', disse o secretário de Comércio Exterior da Argentina, Martín Redrado. Para ele, ''as engrenagens não estão azeitadas''. Redrado, porém, diz que houve avanços nas negociações para a liberação dos mercados de produtos agrícolas industrializados.
Ontem as conversas foram mais tensas.
Na terça-feira, a UE apresentou uma proposta melhorada para o setor de carnes. No segundo dia, porém, o Mercosul decidiu interromper a metodologia de trabalho sugerida pela UE, que defende negociações produto a produto.

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