Mercosul, Chile e Bolívia temem efeitos da turbulência
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quinta-feira, 04 de julho de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Os chefes das equipes econômicas dos quatro sócios do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), do Chile e da Bolívia indicaram, em documento emitido ontem, que todos os países da região estão mais suscetíveis a novas ondas de turbulência. Depois de cinco horas de análise das condições de cada um dos sete países, eles reiteraram a importância de o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os demais organismos multilaterais se mostrarem abertos a eventuais pedidos de ajuda financeira. Sem mencionar diretamente o caso argentino, o documento enfatizou que o risco de recair em um ''conjuntura adversa'' está presente em toda a região.
O apelo discreto foi o resultado da reunião de ministros da Economia e presidentes do Banco Central dos seis países, ocorrida ontem em paralelo ao encontro semestral das principais autoridades do Mercosul.
Do lado brasileiro, participaram o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o diretor de Política Econômica do Banco Central, Illan Goldfajnn, que representou o presidente do BC, Armínio Fraga. No encontro, as autoridades das seis economias emergentes indicaram que estão dispostas, em contrapartida, a reforçar as instituições econômicas de seus países e em prosseguir com os trabalhos de convergência macroeconômica na região.
Ao estabelecer os sete pontos impressos no documento, as autoridades partiram da avaliação de que seus países deverão enfrentar dificuldades que afetarão ''os fluxos financeiros, comerciais, de capitais e outros fatores de produção (dos sete países), em um contexto de profunda reavaliação do risco na economia global''. O grau de intensidade da crise poderá variar em cada caso. Mas todos estarão vulneráveis. Por conta disso, os ministros e presidentes dos BCs reservaram o ponto de número cinco para um discreto pedido.
''(Concordamos em) reiterar a importância da assistência das instituições multilaterais para os países da região, de modo que permita enfrentar de forma adequada as situações conjunturais adversas'', diz o documento.
O texto indica que, do ponto de vista interno, cada país assume o compromisso de reforçar suas instituições relacionadas com os regimes fiscal, monetário, financeiro e cambial - que são as bases da estabilidade conquistada ou pretendida, conforme o caso. Esse recado, no Brasil, pode ser lido como a preservação das metas de inflação, da Lei de Responsabilidade Fiscal, do regime de câmbio flutuante e dos compromissos fiscais assumidos com o FMI.
Boa parte do raciocínio do desenvolvido pelos ministros indica a confiança deles de que a aposta do Mercosul e seus vizinhos na própria região poderá ser uma saída para enfrentar as possíveis turbulências - desde que o FMI mantenha a porta aberta. Um dos instrumentos seria a continuidade do processo de integração comercial.


