Mercosul caminha para integração total
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Carmem Murara 
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) - único bloco econômico consolidado na América Latina - caminha a passos largos para a completa e total união aduaneira e zona de livre comércio. Sete anos após o primeiro tratado assinado para a formação do bloco (Tratado de Assunção), os quatro países formadores do Mercosul conseguiram viabilizar as negociações comerciais eliminando parte da burocracia fronteiriça entre os países. Hoje, 85% de todos os produtos são comercializados sem qualquer tarifa. Os 15% restantes, que fazem parte da chamada Lista de Exceção, devem ter tarifa zero até 2005.
Apesar de o primeiro tratado ter sido assinado em 26 de março de 1991, foi somente em 1º de janeiro de 1995 que os países constituíram, oficialmente, o Mercosul. Foi o Tratado de Assunção que estabeleceu a redução progressiva das tarifas até chegar a zero, em 1995. Paraguai e Uruguai tiveram o prazo estendido por um ano.
O Mercosul se sustenta principalmente nas trocas comerciais entre Argentina e Brasil. Os dados do Ministério das Relações Exteriores mostram que o Brasil exportou US$ 5,1 bilhões para a Argentina, restando US$ 2,2 bilhões para os demais países. A segunda maior exportação é com o Paraguai, com US$ 1,3 bilhão. A Argentina exportou para o Brasil US$ 6,6 bilhões em 96, enquanto para o Paraguai vendeu US$ 584 milhões. A Argentina exportou para todo o Mercosul US$ 7,5 bilhões.
O crescimento na comercialização entre os países é crescente a cada ano. Em 1990, foram negociados em exportações US$ 4,1 bilhões entre Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil. Seis anos depois, o volume saltou para US$ 16,7 bilhões, quatro vezes mais do que no início da proposta de liberação aduaneira e tarifária.
Mas apesar de todo o crescimento, há quem garanta que os números poderiam ser bem maiores. O economista do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Gilmar Lourenço é um deles. As políticas macroeconômicas de Brasil e Argentina impediram um maior desenvolvimento, afirma. Ele lembra que a Argentina promoveu uma grande recessão em 1995 devido à crise do México. Logo em seguida, o Brasil seguiu pelo mesmo caminho argentino, fortalecendo o efeito Orloff.
Outro fator que representa um entrave para o Mercosul é a concentração dos negócios nas mãos dos grandes empreendedores. O diretor-geral da Secretaria do Planejamento, Antonio Caron, diz que falta a participação da pequena e média empresa. O pequeno empresário precisa descobrir o Mercosul e se abrir para as negociações com os países vizinhos, afirma Caron.
Professor de Economia e Comércio Exterior da PUC e mestre em Desenvolvimento Econômico pela UFPR, Caron diz ainda que outro problema do Mercosul é a burocracia da fronteira para o transporte. Os horários de funcionamento das alfândegas e o coorporativismo de setores como o de cargas ainda são muito presentes, comenta.
Mas para economistas e empresários, o Mercosul foi uma proposta que deu certo a ponto de incomodar países como os Estados Unidos. A proposta de acelerar a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) é uma mostra que os Estados Unidos temem perder mercado para o Mercosul, lembra o economista Gilmar Lourenço. Os quatro países do Mercosul só aceitam iniciar as negociações sobre a Alca a partir de 2005.


