Os ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais do Mercosul estão preocupados com o grau de incerteza ainda existente no cenário externo e reconhecem que a crise internacional e as medidas tomadas pelos governos locais para enfrentá-la reduziram as expectativas de crescimento da região para o próximo ano. Esperam, contudo, que os fluxos de recursos para a região retomem ‘‘gradualmente’’ a normalidade - para isso, estão aprofundando seus esforços de ajuste fiscal, limitando gastos, ampliando receitas e, em alguns casos reformando seus sistemas tributários.
Estes pontos constam do comunicado conjunto distribuído ontem à tarde, após a 11º Reunião de Ministros da Economia e presidentes de Bancos Centrais do Mercosul, realizada na delegacia do BC brasileiro, no Rio. A reunião foi preparatória para a 15ª Reunião de Cúpula do Mercosul, que começa hoje e termina amanhã no Rio de Janeiro.
A reunião foi fechada - apenas fotógrafos e cinegrafistas tiveram alguns instantes de acesso à sala de reuniões, para imagens. Entre outros, participaram da reunião os ministros da Fazenda do Brasil, Pedro Malan; da Argentina, Roque Fernández; do Uruguai, Luiz Mosca; e do Paraguai, Heinz Gerardo Doll. O presidente do BC brasileiro, Gustavo Franco, e o da Argentina, Pedro Pou, também integraram o encontro.
No comunicado, eles reiteraram o compromisso de manter a estabilidade econômica e prosseguir e consolidar as reformas estruturais, considerados ‘‘requisitos essenciais para manter a confiança interna e externa nos países do Mercosul e fazer avançar o processo de integração’’. A política cambial de cada País, uma das questões mais discutidas nos últimos meses por economistas e empresários, dada a sua importância para enfrentar a crise externa, não foi citada no comunicado.
Segundo o documento distribuído pelos participantes da reunião, a recente crise tem caráter global e, por isso, foram muito importantes as respostas dadas pelos países desenvolvidos, seja pela redução das taxas de juros, seja pela iniciativa de propor mecanismos de prevenção de novas dificuldades, seja pela viabilização de financiamentos. Na América Latina, diz o comunicado conjunto, a crise internacional traduziu-se em redução das expectativas de crescimento, limitações aos fluxos de comércio com outras regiões e retração nas possibilidades de financiamento externo.
Eles destacaram, porém, que o ingresso de investimentos diretos estrangeiros para os países do Mercosul passou de US$ 5 bilhões em 94 para US$ 24,1 bilhões no ano passado e US$ 29 bilhões em 98, o que é um indicador de confiança na região. Para os ministros e os e presidentes dos BCs do Mercosul, se os programas de ajuste em curso forem mantidos, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai têm ‘‘todas as condições’’ para se consolidarem como um pólo de crescimento e atração de investimentos, ‘‘ampliando sua presença internacional’’.
Formal, o comunicado reitera que os países do Mercosul continuam tendo como objetivo de longo prazo a coordenação das políticas macroeconômicas e setoriais da região.
A reunião começou às 10h15 e terminou às 12h40. Nem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e nem o presidente do BC, Gustavo Franco, quiseram falar com a impresa. Os ministros e presidentes de BCs dos demais países do Mercosul igualmente esquivaram-se dos jornalistas. O comunicado conjunto deles somente foi distribuido, por fax, já no final da tarde. A lista oficial de participantes da reunião tinha 26 integrantes.

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