A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 0,58% em abril, a maior alta no mês desde abril de 1997. Em março a inflação havia sido de 0,38%. O índice já acumulou uma alta de 2% nos quatro primeiros meses do ano, atingindo exatamente a metade do centro da meta inflacionária de 4% estabelecida pelo Brasil junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2001. Os reajustes nos preços dos alimentos foram os principais responsáveis pela alta inflacionária.
Com aumento de 1,80% em abril, a alimentação contribuiu com 0,40 ponto porcentual para a alta da inflação. A elevação foi provocada sobretudo pela falta de chuva que prejudicou as lavouras, mas houve também influência da escalada do dólar.
Ontem, forte especulação pressionou o dólar por causa do aumento da desconfiança do mercado em relação à troca da dívida argentina e das incertezas sobre o tamanho do racionamento de energia e de seu impacto na economia do País. O pronto subiu até 1,73%, mas fechou com ganho menor, de 1,24%, vendido a R$ 2,286, maior cotação desde 25 de abril. A revisão para baixo do PIB brasileiro, de 4% para 3,4% neste ano, feita pela Merrill Lynch, também deu combustível para o avanço do pronto. Só nesta semana, o dólar subiu 3,35%. A valorização acumulada pela moeda frente ao real neste ano, até o momento, está em 17,17%.
O diretor de câmbio da corretora Liquidez, Hermann Miranda, disse que o dólar está precificando expectativas sombrias em relação à reestruturação da dívida Argentina e ‘‘à caótica situação do setor energético brasileiro’’.
Ontem, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu que o racionamento representa um choque de oferta na economia, mas disse não acreditar numa desaceleração de 1,5 ponto porcentual no PIB este ano. No entanto, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) prevê que o racionamento de 20% poderá ser ampliado para 35%, se os níveis dos reservatórios se mantiverem baixos.
No mercado à vista, o dólar comercial operou em campo positivo, oscilando 1,32%, entre a mínima de R$ 2,267 (+0,40%) e a máxima de R$ 2,297 (+1,73%). O giro financeiro no D2 pronto somou US$ 2,990 bilhões ou 22,44% acima dos US$ 2,442 bilhões movimentado s ontem.
A Bovespa registrou tombo no último pregão da semana: recuou 3,3%. O racionamento de energia também teve sua parcela de influência sobre o mau humor do mercado, tanto pela grande quantidade de notícias veiculadas sobre o tema durante o dia quanto pela ‘‘mea culpa’’ do governo ao admitir que o tamanho do problema só foi percebido recentemente. ‘‘O mercado foi dormir com a CPI, acordou com o racionamento e almoçou com a Argentina’’, ilustra um experiente diretor de Tesouraria, referindo-se ao crescente mau humor do mercado ao longo do dia.
O DI de outubro encerrou o dia projetando taxa de 21,12%, ante 19,97%, na véspera. O swap de um ano encerrou com taxa de 22,40%, ante 21,71% anteontem. A projeção do DI de julho subiu de 17,56% para 18,41% ontem.
(Silvana Rocha, André Palhano e Mário Rocha)

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