A redução da liquidez foi a tônica de todos os segmentos do mercado financeiro ontem. A Bolsa não fugiu à regra. A proximidade do vencimento do Ibovespa futuro travou os negócios, uma vez que os estrangeiros saíram de campo, deixando-o livre para as especulações dos grandes operadores do mercado. O índice da carteira teórica paulista à vista fechou em queda de 1,29%, novamente rompendo o suporte dos 17 mil pontos, e o volume financeiro somou apenas R$ 469 milhões. O Ibovespa futuro, cujo contrato vence na quarta-feira, caiu 1,46%, para 16.930 pontos.
Várias outras expectativas deixaram o mercado com as barbas de molho. Hoje será o leilão da banda D do Serviço Móvel Pessoal, mas seu resultado não deverá surpreender quer pelo ágio, quer pelos participantes. Mas o fato é que ontem várias ações do setor de teles caíram, na véspera da definição do ambiente mais competitivo para as celulares.
O mercado de juros está com poucos negócios às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá, amanhã, como fica a taxa Selic, hoje em 15,25%. Os juros futuros subiram ligeiramente nesta segunda-feira, o que tanto pode ser sinal de um mercado mais conservador – os investidores mais otimistas poderiam estar se rendendo às apostas de manutenção ou queda da Selic em apenas 0,25 ponto porcentual – quanto uma manobra típica de puxar preços para garantir remuneração melhor amanhã no leilão de títulos públicos.
O dólar comercial começou a semana pressionado e fechou ontem no preço máximo de venda, de R$ 1,985, alta de 0,15% sobre o resultado de sexta-feira. A indefinição política no Congresso e a expectativa em relação à licitação da banda D, hoje, e o resultado da reunião do Copom, amanhã, levaram investidores a operar com cautela. A avaliação do mercado é de que o dólar poderá recuar nesses próximos dias.
Os analistas afirmaram hoje que o fluxo de recursos se manteve equilibrado no dia. Houve uma entrada de cerca de US$ 100 milhões, através de um grande banco nacional, que foi absorvida pelo mercado. Simultaneamente, também ocorreram pequenas saídas, mas insuficientes para afetar as cotações. O comercial oscilou apenas 0,25% ontem, entre a mínima de R$ 1,980 (-0,10%) e a máxima de fechamento.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)

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