O temor de que outros países emergentes sigam o exemplo da Rússia, que declarou a moratória de sua dívida, tomou conta dos mercados da América Latina. A Bolsa de Valores de São Paulo ontem teve queda de 6,43%, a maior do ano, só igual à registrada no dia 18 de maio. O índice Bovespa, das ações mais negociadas, caiu para 7.991 pontos, o menor patamar deste ano. Pela primeira vez desde 12 de novembro de 97, o índice ficou abaixo dos 8.000 pontos. A Bolsa do Rio ontem também caiu: fechou em queda de 5,57%.
No mês, o índice Bovespa já acumula queda de 25,38% e no ano, de 21,63%. Desde seu pico de alta deste ano, no dia 15 de abril, teve queda de 35,03%. Os C-bonds, títulos da dívida externa brasileira renegociada, despencaram. As cotações caíram para 61% do valor de face, o menor patamar do ano. Ficaram próximas aos 58% do ápice da crise asiática, em outubro.
A diferença entre o que esses títulos pagam e a remuneração oferecida pelos papéis do Tesouro norte-americano com 30 anos de vencimento indica o grau de confiança dos investidores estrangeiros. Quanto maior o intervalo, maior o risco.
Ontem, essa diferença pulou para 10,13 pontos percentuais (9,10 pontos na véspera). Na crise de outubro de 97, era de 10 pontos. Os mercados futuros brasileiros, pela primeira vez desde a moratória da Rússia, na segunda-feira, apresentaram nervosismo. A partir das 16h, passaram a projetar taxas de juros e desvalorização cambial maiores. Os analistas acreditam que o governo deve atuar hoje para acalmar os ânimos.
Os contratos para vencimento em novembro na BM&F, na Bolsa paulista de futuros, foram os mais negociados e passaram a projetar juros de 22,05% ao ano, maiores do que os 20,81% de ontem. A desvalorização cambial projetada para agosto subiu para 0,82%, contra 0,76% anteontem. O dólar comercial ficou estável, com suas cotações em R$ 1,1740 para venda, por causa do Banco do Brasil, que atuou novamente para barrar uma desvalorização do real. A desvalorização do real neste mês chega a 0,94%, acima da média de 0,64% aplicada desde a criação do sistema de bandas. O nervosismo se espalhou pela América Latina.
A Venezuela, tida como a bola da vez da moratória, teve queda de 9% na Bolsa de Caracas. A Bolsa de Valores de Buenos Aires caiu 6,14%, com o índice Merval, das ações mais negociadas, com o mais baixo patamar desde novembro de 95. No México, houve pressão forte sobre o câmbio, com o peso apresentando desvalorização de 2% em um só dia. A Bolsa de Valores de Nova York ajudou no pessimismo, caindo 0,94%.
ArgentinaA Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou ontem com a maior queda dos últimos dias. O índice Merval caiu 6,14%. É a maior queda desde novembro de 95. Segundo diretores da bolsa portenha, o mercado argentino sofreu ‘‘o efeito contágio’’ da crise internacional, gerada pelas turbulências na Rússia e na Ásia. A preocupação é também com o Brasil. Se aumentam os problemas no maior país do Mercosul, sobrará para o vizinho menor.

mockup