Mercados iniciam mês de março em clima de festa
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Agência Estado 
O mês de março não poderia começar melhor para o mercado financeiro: a balança comercial apresentou em fevereiro o menor déficit desde maio de 1997 e o saldo cambial teve o melhor resultado de toda a era do real. As bolsas, que já subiram bem no mês passado, aliaram estas boas notícias à expectativa de queda de juros na quarta-feira, quando acontece a reunião periódica do Copom. E vêem com otimismo a retomada dos trabalhos do Congresso, após o recesso branco do carnaval. Resultado: o Ibovespa cravou alta de 2,59% nesta segunda-feira, enquanto o IBV carioca ganhou 1,86%.
O giro financeiro nas duas praças também melhorou, sendo que em São Paulo o volume somou R$ 843 milhões. É um sinal de que os estrangeiros se sentem mais seguros para realizar compras aqui. Segundo observaram operadores, os domésticos também estiveram mais tomadores, torcendo para que os pequenos investidores exorcizem de vez os prejuízos da crise asiática e voltem aos pregões. Neste sentido, o efeito ranking - o Ibovespa acumulou ganho de 8,74% em fevereiro - tem um papel importante junto à tomada de decisão do aplicador de menor porte, da classe média, enfim, do público consumidor de fundos de ações.
O cenário internacional complementa este clima de absoluta paz. A crise EUA versus Iraque parece ter sido definitivamente contornada ou, ao menos, adiada. O escândalo sexual de Bill Clinton está quase virando pó. E os mercados asiáticos vêm conseguindo sobreviver, em meio a solavancos isolados.
Por fim, a economia norte-americana só sinaliza prosperidade, com ressonância imediata nos principais mercados financeiros mundiais. Ontem, foi a vez de a Bolsa de Londres e de Paris fecharem em níveis recordes, em 5.820 pontos e 3.446 pontos, respectivamente.
A Bolsa de Nova York fechou em leve alta de 4,73 pontos (0,06%), com o índice Dow Jones em 8.550,45 pontos, novo nível recorde. O dia foi de bastante volatilidade, com o índice Dow Jones oscilando entre a máxima de 8.566,89 pontos e a mínima de 8.510,84 pontos. Analistas consultados pela agência AP-Dow Jones disseram que as ações do setor de alta tecnologia sofreram quedas e limitaram a alta. As ações da Dell Computer, que vinham acumulando alta de 23% desde que a empresa divulgou o balanço do 4º trimestre, em 18 de fevereiro, caíram e puxaram as demais do setor. O volume de ações negociadas foi de 590,6 milhões.


