Mercados caem na Ásia. Cresce violência
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
O presidente
Suharto, da
Indonésia:
pressão dos EUA Depois de um final de semana em que pelo menos cinco pessoas morreram e cerca de 300 foram presas em distúrbios contra a crise econômica na Indonésia, a maioria das Bolsas e moedas asiáticas voltou a cair ontem, reativando o temor de que a turbulência econômica na região ainda está longe do fim. A rupia, moeda indonésia, sofreu desvalorização de 24% diante do dólar, arrastando o won coreano (queda de 2,29%) e o baht tailandês (-4,14%). Os distúrbios do final de semana, considerados os mais graves na Indonésia nos últimos 30 anos, ocorreram enquanto os presidentes de bancos centrais de países asiáticos (excluindo o Japão) encerravam uma reunião sobre a crise num hotel de luxo da ilha de Bali, a cerca de mil quilômetros da capital, Jacarta.
A menos de 200 quilômetros do local da reunião, nas ruas da cidade turística de Praya, dois homens morreram durante ataques já não mais direcionados só contra estabelecimentos de comerciantes de origem chinesa, originalmente os únicos alvos e bodes expiatórios da crise econômica do país. Qualquer estabelecimento acusado de estocar alimentos ou de aumentar preços foi depredado e saqueado.
Sem chegar a uma conclusão, os presidentes dos bancos centrais decidiram estudar formas de estabelecer entre seus países transações com base em moedas asiáticas, e não o dólar, como forma de reduzir a dependência da moeda norte-americana. A sugestão, ainda incipiente, é do primeiro-ministro da Malásia, Mohamad Mahatir.
A queda dos mercados asiáticos também teve como causa a insistência do governo de Suharto em atrelar a rupia a uma moeda forte, possivelmente o dólar, como forma de restabelecer o controle sobre o câmbio. O FMI (Fundo Monetário Internacional), contrário à proposta, ameaçou suspender o pacote de ajuda de US$ 43 bilhões já acertado com o país.
Segundo o FMI, tal medida contraria os termos do acordo fechado com o Fundo e só agravaria a situação econômica da Indonésia. O presidente dos EUA, Bill Clinton, telefonou para Suharto no final de semana para tentar demovê-lo da idéia. Suharto deve definir a situação nos próximos dias. Esse quadro de indefinição derrubou as Bolsas de praticamente todos os países asiáticos. A de Cingapura caiu 4,58%; a da Malásia, 3,44%; a da Coréia do Sul, 1,48%; e a de Hong Kong, 1,47%. O índice Nikkei, que reúne as principais ações negociadas na Bolsa de Tóquio, caiu 0,9%. Segundo analistas japoneses, tal queda deve-se não apenas às preocupações de investidores com relação à Indonésia - país no qual o Japão tem US$ 40 bilhões em investimentos diretos e US$ 23 bilhões em empréstimos a descoberto -, mas também ao descrédito com relação ao novo pacote econômico que deverá ser anunciado pelo governo japonês na próxima sexta-feira.
Ontem, a Bolsa caiu, apesar de o Parlamento japonês ter aprovado definitivamente o pacote de US$ 239 bilhões desenhado pelo governo no final do ano passado para reaquecer a economia do país. O pacote inclui o uso de recursos públicos para garantir depósitos e limpar o balanço dos bancos.
Ao receber a notícia da aprovação do projeto, o primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, disse que se sentia aliviado e pediu para que as
medidas fossem adotadas com rapidez. O número de empresas japonesas que quebraram em janeiro chegou a 1.502, cifra sem precedentes para o primeiro mês do ano desde o pós-guerra. As falências de empresas com perdas superiores a US$ 81 milhões superaram a barreira das 1.500 pelo segundo mês consecutivo, segundo um informe do instituto privado de pesquisa econômica Teikoku Data Bank. Em dezembro, foram 1.593 falências.
As dívidas acumuladas pela quebradeira desde abril de 97 somam US$ 74,7 bilhões. Estima-se que o número total de empresas falidas em 1997 vai ultrapassar os 17 mil casos. Mais de 67% das falências em 97 ocorreram devido a fatores vinculados à estagnação da economia japonesa, como queda das vendas, acúmulo de dívidas e dificuldade em recuperar crédito.
O feriado nos EUA - Dia do Presidente - voltou a deixar os mercados internacionais órfãos de referências. Como esperado, os negócios no Brasil se esvaziaram sensivelmente e a Bovespa movimentou apenas R$ 298 milhões, volume pelo menos 50% menor do que a média das últimas semanas. A Bovespa fechou em baixa de 1,27%. Telebrás PN caiu 0,96%, para R$ 133,70 o lote de mil. A Bolsa do Rio fechou em baixa de 0,07%.


