São Paulo - Em mais uma semana reduzida por feriado, desta vez pela comemoração do Dia do Trabalho na quinta-feira, a expectativa mais disseminada no mercado é que predomine um clima de compasso de espera. Até o encaminhamento das reformas e o surgimento de mais definições no câmbio e no cenário externo, deve continuar o movimento de consolidação de preços ao redor dos patamares atuais.
Analistas não descartam uma realização de lucros, mas afirmam que os ativos devem seguir sem tendência muito definida, ao sabor de forte volatilidade. ''O mais provável é que (o mercado) no curto prazo fique de lado, à espera do envio das reformas ao Congresso'', diz Beto Scretas, diretor da Schroeder Brasil. O governo deverá encaminhar as propostas de reformas tributária e da Previdência ao Congresso na próxima quarta-feira.
A queda do dólar e do petróleo e a consequente redução dos preços dos derivados e de outros produtos devem provocar o recuo da inflação em maio. ''O corte dos juros básicos poderia ocorrer no mês que vem ou em junho, e esse início de queda seria emblemático, após tantos meses do último corte'', afirma Scretas. Em julho de 2002, o BC reduziu os juros de 18,5% para 18%. A queda dos juros abre espaço para um crescimento maior da economia, ''além de reduzir a atratividade da renda fixa e propiciar a migração de recursos de investidores locais para a Bolsa''.
Câmbio - O Banco Central deverá iniciar a rolagem de US$ 1,5 bilhão de dívida cambial em uma semana que promete, de novo, forte oscilação de preços. Na quinta, vencem os contratos de dólar futuro do mês. A véspera deverá ser marcada pelo acirramento da disputa entre ''comprados'' (apostam na alta da cotação) e ''vendidos'' (acreditam na queda) para a formação do Ptax (preço médio diário do dólar, medido pelo BC) que liquida esses vencimentos.
Hoje sai a taxa do IPC da Fipe da terceira quadrissemana do mês. A estimativa do mercado é de alta de 0,90%, devido à elevação dos preços dos alimentos. Amanhã será a vez do IGP-M do mês, que tem previsão de alta de 0,90%.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será divulgada na sexta-feira. No documento, o BC deverá apresentar as razões para a manutenção da Selic em 26,5% e a retirada do instrumento que permite a seu presidente elevar os juros antes da reunião do mês seguinte.

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