Mercado valoriza mulheres mais experientes
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segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Perder o emprego aos 40 anos pode parecer uma situação difícil para qualquer pessoa. Geralmente, a idade mais avançada somada à falta de qualificação afasta muitos trabalhadores em pleno período produtivo do mercado de trabalho. No entanto, aos poucos, este panorama está sendo modificado, principalmente, para as mulheres. É um fenômeno relativamente recente e que revela uma mudança de mentalidade dos empresários. Caracteristícas como responsabilidade, experiência de vida, paciência e estabilidade estão cada vez mais valorizadas.
A promotora de vendas Tatiana Lapuse Fernandes de Oliveira teve a chance de voltar ao mercado depois de um afastamento de 19 anos, quando o emprego literalmente bateu à sua porta. Dona-de-casa, ela mantinha contato com os empregadores da filha Taís - que também atuou como promotora de vendas enquanto cursava a universidade. ''Sempre gostei do contato com as pessoas e quando a minha filha deixou esse trabalho, eles me ofereceram a vaga. No começo encarei como uma brincadeira, mas deu certo. Hoje estou muito contente'', afirma.
Ela auxilia nos cursos de culinária, faz abordagem dos clientes e arruma os produtos nas gôndolas. ''Não me vejo fechada em um escritório, encaro esse trabalho como um momento bom, não tenho estresse'', salienta. Além de fazer a propaganda dos produtos, a promotora orienta os consumidores com receitas, dá dicas de culinária e troca experiências com os clientes. ''As pessoas me perguntam como se faz uma receita e, algumas, voltam para dizer que deu certo. Se não ficou bom, pergunto como a pessoa elaborou e vou ensinando. Fiz muitas amizades neste trabalho'', comenta.
Tatiana deu tão certo no trabalho que, mesmo com 55 anos costuma receber várias propostas para mudar de emprego. ''Já estou quatro anos na mesma empresa e gosto muito das pessoas e dos produtos. Acredito que a pessoa com mais idade tem mais paciência, sabe abordar um consumidor, tem bagagem de vida. Se algum dia precisar de trabalho vou procurar na mesma área'', afirma.
Mercado - Essa mudança de comportamento dos empresários foi percebida pelas empresas de recursos humanos. A Admita, por exemplo, percebeu essa demanda há um ano e meio. A maior parte das vagas oferecidas para as mulheres, de 33 a 45 anos, tem sido por cargos de atendimento ao público, vendas e recepção de empresas. ''O volume ainda não é grande, mas reflete uma mudança de mentalidade; há uma valorização maior da idade, da estabilidade profissional - em que a empresa pode investir no funcionário - e emocional, responsabilidade e experiência.'', afirma a psicóloga Taís Carneiro Monteiro, da Admita.
A coordenadora de Recrutamento e Seleção, Ruth Hayashi, lembra que a mulher está muito valorizada no mercado de trabalho. ''Em geral, as empresas preferem as mulheres que, normalmente, são mais qualificadas, mais comprometidas e estáveis, enquanto os homens são mais aventureiros'', observa. Em parte, essa responsabilidade ocorre porque o sexo feminimo hoje é considerado ''arrimo da família''.
''As mulheres 'maduras', geralmente, têm mais responsabilidade, não têm filhos pequenos e não precisam cuidar da casa. As empresas não querem rotatividade porque isso prejudica a produção e a qualidade do serviço'', diz Ruth. Segundo ela, as únicas atividades em que as mulheres ainda não entraram são as que exigem muito esforço físico.


