Mercado troca o otimismo pela cautela
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Agência Estado 
Queda acentuada das Bolsas e alta dos juros e do dólar. Esse quadro de instabilidade, que esteve afastado do cenário financeiro durante várias semanas, voltou à tona nos últimos dias. As preocupações com uma possível elevação dos juros norte-americanos e com a queda da Bolsa de Nova York, aliadas ao temor de que a Argentina desvalorize o peso, fizeram com que o mercado trocasse o otimismo pela cautela.
Os juros talvez não caiam tão rápido quanto se imaginava; o dólar pode não ficar tão comportado; e os mercados de ações continuam sujeitos a oscilações mais fortes. Com isso, o investidor deve analisar o cenário para suas aplicações de maneira mais cuidadosa. Ainda não parece o caso de abandonar totalmente as aplicações prefixadas, ficando apenas na segurança dos fundos DI, nem de evitar totalmente o investimento em ações. Mas os especialistas indicam uma estratégia menos ousada que a que vinham sugerindo.
Para quem não quer correr riscos, o melhor é aplicar a maior parte dos recursos destinados à renda fixa nos DI. E as Bolsas só devem ser vistas como opção para quem pode investir por prazos longos. A divulgação de fitas indicando que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria tentado favorecer um dos grupos que participaram da privatização da Telebrás também contribuiu para aumentar a instabilidade. Mas, aparentemente, as denúncias não devem provocar estragos mais sérios.
A queda rápida dos juros deixou de ser uma certeza. A expectativa é que as taxas continuem sendo reduzidas, mas as incertezas externas tendem a fazer com que o Banco Central (BC) seja mais cauteloso na condução da política monetária. Com isso, as aplicações prefixadas, que costumam ser mais rentáveis quando os juros estão em queda, perdem um pouco da atratividade, e alguns especialistas entendem que o momento é de alocar a maior parte dos recursos da renda fixa nos fundos DI, os mais seguros, porque seguem a oscilação da taxas.
O diretor-executivo do Deutsche Bank Investimentos, David Gotlib, é um dos que entendem que o momento é mais propício à segurança dos DI. Segundo ele, o investidor que tem algum apetite pelo risco pode alocar parte do dinheiro da renda fixa em aplicações prefixadas, mas sabendo que o ganho potencial é menor do que há 30 dias, e o risco é maior. Gotlib acredita na manutenção da tendência de queda dos juros, mas diz que o BC deverá ser mais cuidadoso agora.
O diretor de Asset Management do Credibanco, Fábio Colombo, é outro que indica a segurança dos DI. Ele afirma que o ganho oferecido pelos prefixados é pequeno em comparação com o risco que se corre. Nos fundos DI, há segurança e um rendimento considerável.
Já o diretor-geral da Banque Nationale de Paris (BNP) Asset Management, André Pires, tem opinião diferente. Segundo ele, as aplicações prefixadas são a melhor opção da renda fixa, pois ainda existe espaço importante para a queda dos juros. Pires diz que não é o caso de apostar todos os recursos nessas aplicações, pois é importante diversificar, mas considera que há boas oportunidades de ganho nos prefixados.


