O mercado financeiro teve um dia positivio ontem. Aproveitando o raro dia zen do país vizinho – que levou o dólar comercial a cair forte e os juros futuros a cederem na BM&F –, a Bovespa fechou em alta de 2,40%, na máxima pontuação do dia (14.092 pontos). Mas o volume financeiro foi fraco, somando apenas R$ 375 milhões. Em Buenos Aires, a Bolsa subiu 4,48% e o risco país caiu para 1.480 pontos base.
Apesar de terem consciência de que a Argentina arma sua própria armadilha para o futuro, os investidores foram à cata de oportunidades na Bovespa, visando o curtíssimo prazo. Mesmo porque tiveram um estímulo extra: a Goldman Sachs elevou a recomendação das ações brasileiras de ‘‘market weight’’ para ‘‘overweight’’ em seu portfólio de mercados emergentes e América Latina, sinalizando aos investidores que ampliem suas posições em papéis brasileiros a despeito da crise econômica na Argentina.
Completando o quadro mais positivo, é grande a torcida para que o Brasil feche logo um acordo com o Fundo Monetário Internacional. A expectativa foi reforçada pela viagem do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, a Washington no início da próxima semana .
Boas notícias sobre a Argentina e o Brasil e o fluxo positivo derrubaram o preço do dólar ontem. A moeda norte-americana operou em terreno negativo durante todo o dia e fechou em queda de 2,27%, vendida a R$ 2,4520, menor cotação desde o último dia 9. Ainda assim, o ganho sobre o real continua alto: de +6,06% neste mês e de +25,68% neste ano.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,73% entre a mínima de R$ 2,4330 (-3,03%) e a máxima de R$ 2,4750 (-1,36%). O giro financeiro no D+2 somou cerca de US$ 1,426 bilhão, ante US$ 1,307 bilhão anteontem.
Ontem foi de uma calma que há muito tempo não era vista no mercado de juros. As taxas recuaram no mercado futuro, reagindo finalmente a expectativas positivas em relação à Argentina.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)

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