Mercado trabalha com cenário otimista
Yoshikazu TsunoDia duroYoshihiko Okura, presidente de uma trading no Japão: pregão tenso
Embora a Bolsa de Valores de São Paulo tenha chegado a uma queda de 10% - a maior desde novembro de 1997 - as taxas de juros e as cotações do dólar tenham subido nos mercados futuros e as operações de ontem tenham sido marcadas por muito nervosismo, especialistas do mercado não estão trabalhando com cenários catastróficos para o País, nos próximos dias.
Parece existir consenso de que a situação econômica do Brasil é mais confortável hoje do que a de outubro de 97, início da crise nos paises asiáticos, e bem distinta da de outros países que estão com problemas como Rússia e Venezuela e de que é pouco provável que o governo seja forçado a alterar as políticas cambial e de juros.
Antonio Scorza/France PresseNovo tomboOperador da Bolsa do Rio: pregão fechou em baixa de 4,7%Para Franciso de Assis Moura de Melo, presidente da Marka
Nikko Asset Management, as quedas nas bolsas aqui foram dramáticas por causa da liquidez (facilidade de venda) dos papéis, especialmente de Telebrás, e dos títulos, em especial os C-Bonds.
Também o diretor-superintendente do Banco Rendimento,
Marcelo Steuer, atribui as fortes baixas das bolsas e dos títulos brasileiros à necessidade dos investidores em fazer caixa para cobertura de posições. Alem disso, para ele, nos momentos de pânico, o objetivo é tambem mais de proteção do que de rentabilidade, afirma.
Para o diretor de Renda Variavel do Lloyds Asset Management, Paulo de Sá Pereira, o mercado, incluído o de ações, exagerou nas quedas. Ele não considera que o Brasil esteja na rota de ataques especulativos contra o real, por causa do nível de reservas, do ingresso de recursos das privatizações e do investimento direto.
Como lembra Moura de Melo especulador só age quando acha que do lado de lá não tem bala ou não tem bom atirador e aqui há bala e bom atirador. O analista explica que bala, no caso, são as reservas internacionais, que estão elevadas, entre US$ 70 bilhões e US$ 71 bilhões, e atirador é o Banco Central, que na crise de outubro, mostrou aos investidores estrangeiros, que sabe lidar com essas situações críticas. Em outubro, ele diz, o Banco Central queimou quase US$ 10 bilhões das reservas para proteger o real, além de dobrar os juros internos.
Moura lembra que o Brasil conta com outros pontos
favoráveis em relação a outros países emergentes, como ter um sistema financeiro já saneado, um programa de privatização bem-sucedido que ainda não terminou, além de, institucionalmente, ser mais sólido.
Embora a aposta seja na manutenção da política cambial, o
administrador de Recursos da Oryx Asset Management diz que as atuais reservas, embora elevadas, não são suficientes para evitar que o País seja mais atingido pela crise: As autoridades econômicas precisam ser mais atuantes e firmes. Na opinião dele, as autoridades econômicas, anteontem, deveriam ter agido logo.
Carlos Guzzo, superintendente de Estudos Econômicos e Risk Management do Banco Pontual, diz que o Brasil está dez vezes melhor que a Rússia e que se for preciso evitar um ataque especulativo, queimará parte de suas reservas. A última hipótese é o Brasil mexer na política cambial.
EvasãoSomente na segunda-feira, o mercado poderá avaliar, com precisão, os resultados da instabilidade de ontem. Mais precisamente o volume de recursos que deixou o País. O governo, por sua vez, já dispõe dos números e passa o final de semana avaliando os efeitos da turbulência. Segunda-feira pode ser mais um dia tenso, aposta o Luis Eduardo de Assis, que foi diretor de Politica Monetaria do Banco Central e hoje está na diretoria do HSBC Bamerindus. Segundo Assis, a tensão de ontem conseguiu superar aquela vivida pelo mercado brasileiro no auge da crise da Ásia, em outubro do ano passado. Hoje o dia durou 40 horas, afirmou. Na avaliação do ex-presidente do BC, Gustavo Loyola, foi um processo de pânico.





