O mercado financeiro deve iniciar a semana atento aos eventuais sinais de alastramento da crise que afeta os mercados de câmbio de alguns países da Ásia, como Tailândia e Filipinas. Alvo de ataques especulativos contra as moedas locais, os governos desses países tiveram de desvalorizar a moeda e elevar as taxas de juro.
Quase sempre, as apostas contra as moedas ocorrem quando existe percepção de valorização cambial e fragilidade nas contas externas, provocadas por elevados déficits em conta corrente na balança de pagamentos. Em linhas gerais, quando a saída de dólares, para pagamento de compromissos externos, é amplamente superior à entrada de capital estrangeiro. O Brasil se enquadra nesse caso, mas está em situação confortável diante de outros países emergentes ou com economias em ajuste e desenvolvimento.
Geograficamente distante da Ásia, o País parece fora da rota de crise cambial que abala os países asiáticos. Mas a economia globalizada, que possibilita livre trânsito de capitais de um país a outro, pode expor o mercado financeiro doméstico a alguma instabilidade. Um cenário que, segundo analistas financeiros, pode manter a continuidade de vendas para realização de lucros nas Bolsas de Valores e fortalecer a determinação do Banco Central de manter a estabilidade das taxas de juro em agosto.
O momento, portanto, exige cautela redobrada do investidor. Quem ainda está fora da Bolsa e pretende amarrar-se em ações deve tomar a decisão como investimento de médio e longo prazo, de seis meses, no mínimo. O volume destinado à compra de ações, sempre por meio dos fundos de ações ou de carteira livre, deve limitar-se a 20% ou 30% do capital. Um bom começo, para o principiante no mercado de ações, pode ser o chamado fundo hedge ou de capital protegido, em que o investidor tem assegurado pelo menos o valor aplicado.
O risco de instabilidade não tira das ações a condição de investimento rentável, segundo especialistas, que apostam na estabilidade econômica, no avanço das reformas econômicas e da privatização. A valorização média projetada para as Bolsas está entre 3% e 4% ao mês até o fim do ano.

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