Mercado teme pelo aumento da inadimplência
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2003
Márcia de Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo O repique da inadimplência é uma ameaça para o primeiro trimestre de 2004, apesar de neste ano fechar no nível mais baixo desde o início do Real, em 1994. Estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indicam que a inadimplência líquida deverá encerrar 2003 em torno de 5%, ante 6,3% em 2002 e 12,5% em 1995, o pico da série, após a estabilização.
A inadimplência líquida leva em conta o saldo atual entre os carnês com prestações atrasadas acima de 30 dias e os crediários renegociados, em relação ao total de consultas de três meses anteriores.
Mesmo otimistas para janeiro de 2004, os varejistas não escondem a preocupação com a capacidade de o consumidor honrar os compromissos assumidos nos últimos meses, principalmente por conta do tombo na renda da ordem de 13% e da manutenção do desemprego em patamares elevados.
''A recuperação vem sendo sustentada pela venda a crédito e, como não há perspectivas de reversão na queda da renda e no desemprego elevado no curto prazo, o problema da inadimplência poderá voltar'', afirma o gerente da Assessoria Econômica da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), Oiram Correa.
O economista argumenta que o esforço do varejo em alongar prazo representa um risco para o comércio. Desde setembro, boa parte das lojas passou a parcelar o pagamento em até dez vezes. Além disso, estão concentradas em janeiro despesas extras que pesam no orçamento doméstico, como o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e gastos com volta às aulas.
Além dos novos carnês e das despesas com impostos, os varejistas apontam o boom na venda de telefones celulares como outro fator de risco para alta da inadimplência.
É que tornar-se proprietário de uma linha de celular, seja de um aparelho pré ou pós-pago, representa um gasto adicional com conta telefônica ou crédito de cartão que toma boa parte da renda, especialmente das fam'ilias de menor poder aquisitivo. De toda forma, lojistas atenuam a preocupação declarando que o crédito foi concedido a partir de critérios mais rígidos neste fim de ano e o que consumidor nos últimos tempos está mais racional.


