O mercado financeiro inicia semana com ''cautela''. Dificuldades do governo com reformas podem abalar confiança dos investidores
São Paulo - O mercado financeiro não caiu de vez no pessimismo, mas há sinais de que o otimismo com o governo Lula - principalmente diante da expectativa de aprovação a toque de caixa das reformas da Previdência e tributária - entrou em processo de reavaliação. O dólar disparou e a bolsa despencou na sexta-feira, no fechamento de uma semana em que aflorou mais claramente a preocupação dos investidores com o cenário aqui e lá fora.
Pelo lado externo, causa inquietação a persistência de sinais contraditórios emitidos pelos dados da economia dos EUA e a contínua elevação dos juros dos títulos do Tesouro americano. Juros elevados nesses papéis atraem investidores que saem dos C-Bonds, principal título da dívida externa brasileira renegociada, cuja desvalorização impulsiona a alta do risco país.
Internamente, a principal fonte de perturbação está nas dificuldades que o governo enfrenta para tocar as reformas no Congresso e nas tensões sociais provocadas por invasões comandadas pelos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto.
O vice-presidente-executivo de Tesouraria do Banco WestLB do Brasil, Flávio Farah, comenta que as dúvidas em relação à aprovação das reformas e as invasões repercutem negativamente nos investidores estrangeiros e, por tabela, inibem o ingresso de capitais no País. Seja como for, ele considera que o mercado exagerou na sexta-feira e a tendência para esta semana vai depender do andamento das reformas. ''Este é um tema muito sensível para o mercado.'' A expectativa é de que a proposta de mudança na Lei de Falências seja votada ainda nesta semana e só depois ocorra a votação da da reforma previdenciária.
Os índices de inflação que serão divulgados esta semana também merecerão atenção dos mercados. ''A inflação ganhou maior destaque depois que a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deixou claro o otimismo do Banco Central com a convergência da inflação e o acerto da política monetária.''
Amanhã, terça, será conhecida a inflação de julho pelo IPC-Fipe e, na sexta-feira, a inflação calculada pelo IPCA, referência do BC para calibrar os juros básicos, e pelo INPC, também em julho. São dados que o mercado levarão em conta para iniciar as apostas sobre a possível decisão do Copom na reunião do dia 20.
Um evento que atrai a atenção dos investidores será o leilão de quarta-feira que o BC vai comandar para a substituição de contratos de swap cambial da dívida de US$ 1,326 bilhão que vence dia 14. O volume de substituição vem encolhendo desde que o BC tomou a decisão de não definir um porcentual de troca, cuja média em julho ficou em 59,7% dos contratos em vencimento.

mockup