Agência Estado
De São Paulo
Os títulos da dívida externa brasileira dispararam nesta sexta-feira, embalados por rumores de que o País estaria preparando nova operação de troca destes papéis por um global bond. A informação não foi confirmada oficialmente. Ainda assim, o C-bond era cotado a 66,250 centavos de dólar no fim da tarde, com valorização de 1,73%.
Na esteira deste rumor auspicioso, o Ibovespa fechou em alta de 1,83% e volume financeiro extraordinário, para uma sexta-feira, de R$ 767 milhões. Segundo operadores, surpreendentemente houve compras de investidores estrangeiros, daí o giro financeiro ter crescido bastante. Outro boato positivo também alavancou as compras: a de que a Moody’s estaria prestes a dar um upgrade para o País. Na contramão deste cenário positivo, estiveram as ações da Cemig. As ordinárias despencaram 7,34%, para R$ 17,05, e as preferenciais perderam 7,30%, para R$ 27,81.
Ontem foi dia de queda do dólar. A moeda fechou em expressiva baixa de 1%, cotada a R$ 1,9740. Expectativa de ingresso de dólares na próxima semana, fluxo cambial melhor ontem, um certo alívio nas movimentações políticas em Brasília e bom desempenho do mercado nos Estados Unidos abriram espaço para as vendas de dólares no mercado doméstico. Se por um lado o dólar enfrenta barreiras para ultrapassar os R$ 2,00, por outro lado não há quem aposte na cotação da moeda norte-americana abaixo de R$ 1,90.
Desde ontem, comenta-se no mercado o ingresso previsto na casa de US$ 500 milhões para a próxima semana. São recursos liberados das garantias no processo de troca de Bradies por global bônus concluído esta semana. ‘‘Esse dinheiro vai para as reservas, o que é bom. Mas são se sabe se ele vai passar pelo mercado, o que teria um impacto nas cotações do dólar. Seria melhor ainda’’, disse um operador.
No cenário político interno, a reunião entre FHC e governadores para discutir a questão da Previdência também foi bem recebida pelo mercado. O governo FHC estaria retomando a agenda nas mãos nesta questão. Operadores ainda citam outro fator importante para a redução da pressão no câmbio. Trata-se das compras de dólares feitas pelo BB no mercado. Os juros futuros registraram mais um dia de queda na BM&F, embora o volume de negócios não tenha sido dos melhores.

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