Mercado tem espaço para produto interno, mas exige custos baixos
Arquivo FolhaMatéria-primaIndústria de pneumáticos exige igualdade para competir com mercado externoCustos competitivos e qualidade. Estes dois fatores são essenciais para que a heveicultura se torne viável no Paraná. A opinião é do presindente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Gerardo Tommasini. O produtor não pode arriscar, afinal ele vai ter de fazer frente aos asiáticos, que produzem a borracha mais barata do mundo. Agora, se tiver preço e qualidade, o mercado para a produção brasileira é garantido, afirma Tommasini.
O Brasil que já foi o único produtor de borracha natural e maior exportador, hoje é obrigado a importar 70% do consumo, que no ano passado foi de 140 mil toneladas. A produção brasileira em 1996 foi de 52.892 toneladas, o que representa 0,6% da produção mundial, que ficou em 5,68 milhões de toneladas. O Sudeste Asiático (Malásia, Tailândia e Indonésia) responde por 74% da produção mundial, e exporta 97% da sua produção.
Segundo Tommasini, a indústria de pneumáticos e de artefatos de borracha enfrenta dificuldades para competir com o produto importado por causa da impossibilidade de comprar matéria-prima (borracha natural) a preços internacionais. O pesquisador do Iapar, Jomar Pereira, diz que a borracha importada do Sudeste Asiático chega ao Brasil com até 70% de subsídios. A mão-de-obra nesta região é muito barata, quase escrava, e estes países tem programas de fomentos e extensão rural que barateiam a produção, afirma.
O setor é regulamentado pela Lei 5.227, de fevereiro de 1967, que instituiu mecanismos que protege a produção interna de borracha, com contigenciamento e preços fixados pelo governo.
Mas com a abertura do mercado, diz Tommasini, esta lei ficou obsoleta e prejudica as indústrias do setor. A produção nacional de pneus está ameaçada pela abertura de mercado, porque houve perda de competitividade, afirma. O presidente da Anip afirma que no ano passado o País importou aproximadamente 1,4 milhões de pneus para caminhões e ônibus, que utiliza borracha natural. Este volume equivale a uma nova fábrica de pneumáticos, comenta.
Para tentar amenizar o impacto da abertura do mercado e manter as indústrias e os produtores em atividade, os dois setores se uniram e conseguiram com que o Governo elaborasse a Lei 3.100/97 que prevê a concessão de subvenção aos produtores de borracha natural. Pela Lei, que está tramitando no Congresso Nacional, os produtores receberão uma subvenção de R$ 0,72/kg.
A lei terá duração de oito anos e sofrerá rebates de 20% ao ano a partir do 4º ano depois de entrar vigor. Não estamos pedindo taxação para o produto importado, o que vai contra os princípios do mercado, mas queremos comprar matéria-prima a preços competitivos, afirma. Ele observa que caso a Lei seja, vai beneficiar tanto os produtores quanto as indústrias. Tudo ficaria mais fácil para nós. Basta imaginar o quanto a distância entre a matéria-prima e a indústria será encurtada. Hoje a indústria tem de esperar até dois meses para receber o produto, diz.





