Mercado tem dia positivo. Dólar recua e Bovespa sobe
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quinta-feira, 03 de maio de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
A expectativa de que o ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, anuncie o swap (troca) de títulos da dívida fez o dólar comercial derreter no Brasil ontem. A moeda norte-americana fechou em queda de 1,12%, cotada a R$ 2,213, por causa das vendas de tesourarias de bancos. A percepção do mercado de que a acareação no Senado brasileiro dissociou o governo de participação na violação do painel de votação da casa também tranquilizou investidores e ajudou na queda.
Os saltos de 2,73% do FRB argentino (principal título da dívida externa renegociada) e de 1,59% do C-Bond brasileiro associados à queda do risco do país vizinho para 1.066 pontos base estimularam vendas de dólar. Santander e Banco do Brasil destacaram-se na oferta de moeda. A volatilidade de preços foi grande, de 1,72%, entre a mínima de R$ 2,21 (-1,25%) e a máxima de R$ 2,248 (+0,45%).
O Ibovespa fechou em alta de 1,64%, na maior pontuação do dia (15.141 pontos), e o volume financeiro somou R$ 566 milhões. O movimento de alta do Ibovespa foi potencializado na última hora do pregão com a percepção de que o pior pode já ter passado. Cesp PN disparou 8,89%, com 295 negócios, liderando o ranking do Ibovespa. Isso porque a Duke Energy e a EDF confirmaram participação na pré-identificação entre os concorrentes do leilão da Cesp Paraná. A segunda maior alta do índice foi Bradespar PN, que avançou 7,69%.
Para os juros, o dia também foi positivo. O mercado de juros acompanhou a melhora das expectativas dos mercados de câmbio, onde o dólar caiu mais de 1%, e de ações, com a alta de 1,64% do índice Bovespa.
Fonte de um grande banco afirma que o governo argentino, em virtude das fortes pressões que vem sofrendo do mercado interno e externo, estaria disposto a concretizar a operação de swap brevemente, mesmo com o risco país nos níveis atuais.
De acordo com operadores, como o mercado brasileiro está oscilando basicamente em função da Argentina, esse tipo de expectativa ajuda a mudar o sinal dos negócios. Até porque, com uma melhora do quadro argentino, o mercado brasileiro terá muito a queimar.
No final do pregão da BM&F nesta quinta-feira, a projeção do DI julho caiu para 18,25%, ante 19,16% na quarta-feira. Nos negócios com DI outubro, as estimativas recuaram para 20,26%, ante 21,33% ontem. E o juro do DI a termo de um ano caiu de 22,28% na quarta-feira para 21% ontem. (Silvana Rocha, Márcia Pinheiro e Mario Rocha)


