Mercado tem dia nervoso. Juro é mantido
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Das agências De São Paulo 
O Comitê de Política Monetária (Copom) tomou ontem a decisão que a unanimidade do mercado esperava: manter a Selic (juro básico da economia) em 16,50%, sem viés. Desde julho a Selic não sai deste nível. E, agora, não podia ser diferente, na avaliação do mercado, com tantas incertezas no horizonte, a começar pela volatilidade do preço do petróleo, passando pelo vaivém das bolsas norte-americanas, crise no Oriente Médio e situação econômica da Argentina.
Qualquer outra decisão do Copom seria uma verdadeira surpresa para o mercado. A explicação do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, foi a mesma que vinha sendo repetida nas mesas de operação das instituições financeiras há semanas: o quadro de incertezas do cenário internacional justifica a manutenção dos juros.
O mercado deve aguardar com expectativa a divulgação da ata da reunião de ontem do Copom, que deve acontecer em uma semana. Especialmente para avaliar qual é a percepção do governo sobre os reais riscos e peso da situação argentina para o Brasil.
O dia de ontem foi uma boa amostra da agitação pela qual passam os mercados mundiais. Depois de observarem as quedas na Ásia, os mercados domésticos acompanharam de perto as altas e baixas do Dow Jones e Nasdaq. O segmento de juros foi, talvez, o que reagiu melhor: apesar das fortes oscilações durante o dia, os juros futuros fecharam em baixa na BM&F em relação a anteontem. Não só porque o mercado externo recuperou-se parcialmente, mas também porque as instituições financeiras estavam seguras de que não havia hipótese de aumento da Selic.
As bolsas novaiorquinas viveram, ontem, nova jornada agitada. O índice Dow Jones rompeu o suporte dos 10 mil pontos, chegou a cair 4,31% pela manhã, e fechou em baixa de 1,14%, em 9.975 pontos. A última vez que o Dow fechou abaixo de 10 mil pontos foi em 14 de março. A Nasdaq registrou comportamento parecido. Levou um tombo de 5,8% no pior momento do dia e fechou em baixa menor, de 0,89%, nos 6.148 pontos. A Bovespa caiu no arrastão e fechou em baixa de 3,03%. O dólar comercial fechou ontem no preço máximo registrado este ano, cotado na venda a R$ 1,875. Com o ganho de 0,16% no dia, o comercial passa a contabilizar neste mês valorização de 1,63%.(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


