A Bovespa fechou em baixa de 1,65% ontem, na mínima do dia (15.891 pontos), e contabilizou um tombo de 10,08% em fevereiro. O péssimo desempenho da bolsa neste mês reduziu o seu ganho acumulado no ano para 4,14%. O cenário externo foi o grande vilão do período, cujo cardápio incluiu as incertezas sobre a desaceleração da economia norte-americana, a fragilidade do ritmo de atividade na Argentina e a mudança do regime cambial na Turquia.
O testemunho do presidente do Fed, Alan Greenspan, na Câmara dos Estados Unidos, acentuou o pessimismo do mercado ontem (leia ao lado). A Nasdaq ontem fechou em baixa de 2,54% e o índice Dow Jones recuou 1,33%.
O mercado financeiro retornou do feriado do carnaval de mau humor. As taxas de juro voltaram a subir no mercado de futuros, acompanhando a valorização do dólar e a queda das bolsas internacionais e da doméstica. O DI de outubro, o mais negociado, encerrou o dia projetando taxa de 15,975%, ante 15,83% da sexta-feira passada.
O noticiário internacional foi, mais uma vez, a razão para o tom apreensivo. O mercado retomou o trabalho ontem com a informação de que o banco JP Morgan rebaixou, na segunda-feira passada, a recomendação de compra da Argentina, reforçando a tese de que o país vizinho tornou-se mais vulnerável após a crise da Turquia. O temor do mercado é que a piora da situação da Argentina – que sofre, principalmente, com problemas de origem fiscal – acabe piorando a avaliação de risco dos países emergentes junto aos investidores internacionais.
O dólar voltou a fechar em alta nesta quarta-feira, acumulando forte valorização em fevereiro. Os motivos que estão pressionando o câmbio continuam vindo de fora do País, com destaque para a economia norte-americana. O dólar encerrou ontem em alta de 0,49%, cotado a R$ 2,0470. No mês, acumulou valorização de 3,75%. ‘‘O dólar mudou de patamar este mês. Agora, está acima de R$ 2,00 e não há sinais de que isso vá mudar tão jᒒ, afirmou um operador.
(Marcia Pinheiro, Mario Rocha e Lucinda Pinto)

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