O anúncio de um novo empréstimo do FMI ao Brasil de US$ 15 bilhões, sendo que US$ 4,6 bilhões já serão liberados em setembro, e da antecipação à Argentina de US$ 1,2 bilhão relativos à blindagem financeira não puderam ser comemorados pelos investidores ontem, porque os mercados já estavam fechados. Mas a expectativa de operadores de mesas de câmbio é de que essas notícias devem levar os investidores a vender dólar na segunda-feira, até encontrar um novo patamar de procura por hedge (proteção).
Apesar do horário da divulgação, os investidores desconfiaram à tarde que alguma notícia boa viria ainda ontem de Washington. Isso por causa da decisão do Tesouro de voltar a ofertar títulos prefixados no leilão da próxima terça-feira. O mercado avaliou que essa decisão poderia já ter sido tomada por que o governo já sabia desse acordo com o Fundo.
Antes disso, porém, havia se esgotado o efeito psicológico positivo causado no mercado brasileiro pela visita à Argentina ontem do subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Taylor. Tanto que a indefinição até o fim da tarde do governo dos Estados Unidos e do FMI sobre eventual liberação de recursos, relativa à antecipação da blindagem financeira ou a uma ajuda adicional ao país vizinho, deu sustentação ao dólar no mercado brasileiro. O dólar comercial encerrou ontem no preço máximo de venda, de R$ 2,505, em alta de 0,48%.
Compras de moeda por tesourarias de bancos para zeragens de vendas feitas no início do dia e o fechamento de uma operação de importação de cerca de US$ 60 milhões pela Petrobras deram fôlego às cotações à tarde. Apenas nesses três primeiros dias de agosto o dólar já acumula ganho de 1,42% frente ao real e, neste ano, de +28,40%.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,33%, entre a mínima de R$ 2,4720 (-0,84%) e a máxima de R$ 2,505 (+0,48%). O giro financeiro no D+2 pronto somou cerca de US$ 1,237 bilhão, ante US$ 1,390 bilhão registrado ontem.
Juros O contrato de DI futuro para 1º de outubro encerrou o dia com projeção de juros de 23,50% ao ano, ante a de 22,24% registrada no fechamento de anteontem. A projeção de juros do DI setembro subiu para 20,76%, ante 20,57% de quinta. O DI janeiro encerrou com projeção de juros de 24,47%, estável em relação aos 24,48% registrados anteontem. O DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 25,43%, ante 25,19% do fechamento de anteontem.
Bolsa A Bovespa quase não se sustentou só com a expectativa de boas notícias por causa da viagem do subsecretário do Tesouro americano, John Taylor, para a Argentina. Depois de ter subido 0,57% pela manhã, o índice da carteira teórica paulista fechou em ligeir a alta de 0,11%. O volume financeiro novamente deu vexame, totalizando R$ 337 milhões.
Até o fim do pregão, nada de concreto havia sido anunciado, nem em relação à suposta ajuda financeira dos EUA para o país vizinho, ou uma antecipação de recursos do FMI, nem quanto ao novo acordo do Fundo com o Brasil. Mas a notícia só chegou no início da noite. (Márcia Pinheiro, Silvana Rocha e Marisa Castellani)

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